6 de abril de 2010
{sobre ganhar o mundo e devaneios matinais...}



Fatos incomuns me ocorrem de vez em sempre:
Hoje mesmo, mal pude compreeender... Acordei, levantei da cama num rompante e, não pude deixar de sonhar. Fui tomada de pequenas sensações tão reais... E ao invés de estranhar os devaneios matinais, optei por apaixonar-me por eles.
Vislumbrei a vida por um instante.
Lembrei-me das conversas com uma amiga: "Alvares de Azevedo aos vinte já tinha escrito Noites na Taverna! E eu, o que fiz?". Sorri.
Ânsia engraçada esta de querer se apropriar do mundo todo.
Ânsia engraçada esta de reconhecer que na vida não cabem estreitezas...
Então, notei: O que fiz é o que sou a cada dia. As pessoas que me são caras, os momentos que amanhã serão memórias, a batalha diária que alimenta os sonhos, as palavras que podem mudar um dia, uma vida...
Os sorrisos, as pequenas simplicidades, as surpresas... Até mesmo os problemas e os defeitos são o que fiz, não são? A vida é rara, uma só e exatamente como tem de ser: diariamente especial.
Vou ganhar o mundo sim... E começar por ganhar a mim mesma.
Então caminhei pra mais um dia. Chuvoso, todo cinza... Cenário pra muitas cores dentro de mim.


(Ale)atoriamente:

Que achas, doce sorriso,
de inspirar suaves canções nos meus ouvidos distraídos?
Que achas, vai me diz,
de tua espontaneidade me cercar de palavras
que já nascem poesia rara?
Que achas, então,
de teus gestos sinceros, sinceros ruídos,
serem luz às minhas criações,
girando e girando no coração de poeta,
da menina que sonha?
"A gente podia sair agora,
ganhar o mundo,
e viver só lembrando daquilo
que a gente já viveu".
Ah, doce sorriso, pura vida me propões.
Não sabes como me sussurras
tantas belezas descompromissadas
e, como isso é bonito de ver...
...E saborear.
Mas sabes, de fato,
reconhecer meus almejos,
apetecer-se por eles e,
aproximá-los de mim.
Sabemos juntos assim, doce sorriso,
numa certeza pueril e clara,
que já ganhamos o mundo diversas vezes,
sem termos voado para muito longe...
(Ale)atoriamente.