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Mostrando postagens de junho, 2008

c o n t r a d i ç ã o

Então, quando me dá cinco minutos E eu quero tratar de mand ar Estabeleço certas coisas: Mando a palavra rim ar , e abusada, defronta cara-a-cara. Mando a poesia cal ar . Ela cutuca até se fazer pronta e falante, a tagarel ar ... Mando então, com esperanças A cor mais viva, se apag ar . Ela vem, arco-íris terra, céu, fogo e m ar . Aí, só pra ser chata, desisti de tentar mand ar . Pra dar liberdade pra tudo isso, E sem querer, eu rim ei . (susto)
E eu que sombra era, Fugidia entre espaços, Anulei por segundos minha força pra encontrar a tua. Eu que era piso vacilante, Me faço e refaço em piso firme que mesmo assim rege dança em calçadas largas de grama. E eu, que era verbo imperativo? Me permito ser canção, Ser prosa poética, flexível Ser rima rara, da manhã. Eu era, era lago... Já desaguo em Oceano Faço sons de ondas leves Carinho para a areia. Fui, leite derramado - e - não chorei. } . - Da primeira vez, era cuidado. Da segunda vez, a emoção. Na terceira, meu bem, encanto puro. E na quarta vez, um adeus sem explicação. - Não sou indecifrável, Descobri quando você chegou e olhou a alma, com licença. Falava o que eu pensava, me esperava dizer, quando era o que você diria, nomesmosegundo. Atirou uma pedra na janela, E não ficou lá embaixo A esperar pelas tranças. Subiu e disse, meio sem jeito, Oi. Acho que as coisas fazem sentido... - Hoje eu vi pombos tirando a sorte em realejos e crianças comendo migalhas de pão. Foi na pracin

i n s p i r a r

Encontrar a inspiração. . . Alguém me cutucou de forma equilibrada, Me fez repensar meus conceitos de coragem Meus porquês das dificuldades De apertar o botão “publicar” - da vida. Admitir ser, se permitir escrever, escrever livremente. Agora é lema. Encontrar a inspiração, Quando se mostra querendo brincar: Se esconder por entre balaústres Chamar com voz fina, distante E como num lapso, silenciar despudoradamente. Procurar às vezes cansa. Encontrar uma simples inspiração Raios, onde está? Aqui dentro, lá fora, onde? Buscar desculpas para não achar... Pedir desculpas por saber que está aqui. Qualquer ruído, qualquer som Se torna motivo para desconcentrar - Como se aquela naturalidade ganhasse cores opacas. Encontrar inspiração, Quando se acostuma a mascarar melancolias Transpondo versos para o papel. Surpresa, a vida sem melancolia não tem arte? Ah, tem. Tem, tem, tem. Arte leve . . . Arte sutil . . . Arte doce e sincera. É preciso se desligar de costumes, E mandar buscar sua arte. &qu

à p a u l i s t a n a

" São Paulo! Comoção de minha vida… Os meus amores são flores feitas de original…Arlequinal! Traje de losangos… Cinza e ouro. Luz e bruma… Forno e inverno morno. Elegâncias sutis sem escândalos, sem ciúmes. Perfumes de Paris… Arys! Bofetadas líricas no Trianon… Algodoal! São Paulo! Comoção de minha vida, Galicismo a berrar nos desertos da América"} - De Andrade, Mario. "É que quando eu cheguei por aqui eu nada entendi Da dura poesia concreta de tuas esquinas Da deselegância discreta de tuas meninas [...] Do povo oprimido nas filas, nas vilas, favelas Da força da grana que ergue e destrói coisas belas Da feia fumaça que sobe apagando as estrelas Eu vejo surgir teus poetas de campos e espaços Tuas oficinas de florestas, teus deuses da chuva..."} - Veloso, Caetano. . O Centro Velho de São Paulo. Noite. Quantas vezes passei por lá e achei tudo aquilo, tão cinza, tão apressado, tão angustiante e feio. (Bate na boca). Mas é surreal: como pode o dia barrar certas impress