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Mostrando postagens com o rótulo Prosa

h o j e

" Hoje eu quero marcar sua vida " era a placa. Logo abaixo se via em letras reduzidas: " Volte amanhã e leia de novo " . Então alguém disse, quase sussurrando: - Você conseguiu. . {homenagem às placas de "Fiado só amanhã" das padarias da cidade}

n ã o & n ã o

Não. Não quero. Me recuso a sorrir sempre, como numa felicidade inabalável e com cheiro de algodão-doce. Chega de forçar a barra, gargalhar das comédias do cinema até ficar com dores abdominais, quando no fundo eu só queria arranhar os dentes e morder o travesseiro. Cansei de olhares complacentes, que me querem por perto só quando estou bem. Eu quero vivacidade, quero briga, quero perdão. Quero amor mesmo nos dias de humor instável. Suportar não é amor, amor é amor e pronto, ponto. Chega de tomar Champagne e parecer sempre pronta pra festa. Eu quero acordar despenteada, eu sou de verdade, eu sou m u l h e r. - Me abraça pro tempo parar de novo? O silêncio e os olhos fechados consentiram. { . . . }

b a t a l h a

É difícil admitir, mas a maior e mais difícil batalha é contra si próprio. Ela descobriu isso enquanto caminhava pelo jardim na noite de um verão bem definido. As flores pareciam sombrias, mas não eram; a lua parecia não existir, mas existia. E dentro de si acontecia uma guerra de espada e escudo. A ânsia de ser mais se misturava com o medo de se desprender do seguro... Ali, naquele momento ela só queria um cantinho pra poder chorar em paz. - Não fuja - ela sussurava baixinho pra seu lado mais medroso. Ela era bem resolvida, sabia bem onde estavam suas feridas abertas e não podia reclamar que "não conhecia seus sentimentos e por isso não sabia o que fazer com eles." Ela podia descrever exatamente, quase como um relatório clínico: insegurança, luta interna, sonhos que eram afogados por abruptos lances de dúvida, pensamentos coloridos e lindos que criaram um receio de estar vivendo uma vida estagnada pelo comodismo tão indesejável que cerca a vida de tantas e tantas pessoas... ...

l e v e z a

Eu gosto dessas manhãs. Acordar cedo me causa fadiga, mas de uns tempos pra cá o ato de levantar da cama tem sido muito saboroso. Eu fico resistente, com vontade de hibernar, até a hora de sair lá fora e sentir aquele frio não-congelante invadindo os poros da pele, quase pedindo licença... O céu branco esconde alguma coisa e dá vontade de ir lá descobrir, não sei se esconde claro, não sei se esconde escuro, não sei se esconde mil histórias e cenas desenhadas pelos formatos das nuvens. O tempo passou, meus passos passaram e o Sol apareceu. Bem vinda seja a luz! Que aquece aqueles que pedem pra que cesse o frio {da alma} . Agora é hora da nostalgia trocar de lugar com o céu branco e trazer consigo um tempo agridoce. Aquele tempo de outros outonos, de risadas incontidas, de abraços confortantes, de olhares estáticos e expressivos. . . E surpreendentemente uma saudade pra frente, do que ainda não conheço, daquilo que sonho e aspiro com as forças cardíacas e, pulmonares. ...

p r i s m a

Os pontos de vista se distorcem, as palavras transmitidas tomam outras significações no caminho até teu ouvido, ver o mundo com outros olhos às vezes é mais penoso do que parece. Viver dentro de formas geométricas pré determinadas torna-se cansativo, isso é quadrado; aquilo é redondo. Meu bem, somos prismáticos e nos enquadramos perfeitamente no encaixe do não-encaixe. . . As inumeráveis faces do ser ficam mais evidentes quando NOS permitimos sem resistências. Não precisamos { cada segundo, tic tac tic tac } distribuir definições objetivas para tudo e todos. Respeitemos então cada digressão humana para que possamos crescer dentro de nós mesmos, como: h u m a n o s . ~ Escolho dia após dia, primavera após primavera, a não-contentação de me encarar como pronta. Quero mais v i d a na memória, mais c o r do lado de fora da janela, do lado de dentro da pele.

f l o r a ç ã o

pequena floração surgiu, agora é tarde. você pensa que me olhar meio de lado e disfarçar tão propositalmente só me faz achar graça? queria que visse o tufão que causa quando estou sozinha { ou melhor } que sentisse um tufão nascendo dentro de v o c ê sem poder refletir no teu externo. queria lavar a calçada com água corrente e ver as folhas secas que você deixou, escorrendo pelo bueiro. mas é utopia! moralidades me cercam de um jeito bem avalassador: causaria um alagamento e não é prudente utilizar tanta água. tudo bem, tenho aprendido. ~ quem sabe meu jeito fugitivo não te perturbe? saberá então { assim como eu sei } que florações não surgem, se constróem.

t r a n s p a r ê n c i a

Ela desejava {ao menos por um dia} ser cinzenta, ser outono, ser o 'basicamente'. Que conseguisse sublimar seus sentimentos, amassá-los até a cura, sem que as pessoas sequer notassem [...] Andar numa bolha {rígida e maçiçamente preenchida de cor} para que suas expressões ficassem engavetadas a sete, oito, nove chaves. Mas no mais íntimo e natural do ser, ela sabia que "destransparecer" sua transparência tão evidente, era o mesmo que enganar a si e fingir ser alguém que não era. Sim, ela não tinha o filtro que separava o que ficaria guardado para ela e o que todos podiam ver. E a necessidade de esconderijo então passava rapidamente, quase como um lapso. { Só não sabia quão saudável/ destrutivo isso podia ser}