30 de novembro de 2008
chão nos pés

Há que colocar o chão nos pés . . .
(O lugar na cabeça e os is nos pingos)
Com a mesma vontade de descalçar os chinelos
(Descalçar a cabeça e, os is por consequência).

Já que se é claro,
Que o escuro das lógicas,
Sentido não faz . . .
E falar assim, de um jeito ao contrário,
É só mesmo pra quem não entende.
(Entendendo o que realmente importa)

Porque se lógica fizesse sentido,
Era só anotar num rodapé qualquer
O que se quer.
E se esforçar, até acontecer, né.
(Dizer: "ok, the end, happy ending . . .")
Quando o que movimenta mesmo,
Não tem nome,
(Tem sentido!) - com exclamação.

Não dá pra sair correndo,
Nem fingir um 'conseguir explicar' . . .
Reflexões baratas não, não alcançam os anseios
(De qualquer pessoa)

Não é querer mostrar o mundo,
Pegar pelas mãos e atravessar.
Cada um supõe o seu agora.
É acender do escuro da lógica
(Com setas claras de sincericídios)

Minha métrica é nula,
Corrosiva e aleatória.
Desde que seja verdade, existe.
Sobrevive das verdades
(E não só de uma)
Mata-se aos poucos pelos olhos,
Já que são os olhos que guardam,
Os esforços desnecessários
(do tempo, da vida).

Se tudo é tão real e bom,
Em cada pedaço e acorde,
Sem mais delongas,
É só viver desse jeito doce.
Agora e, sem o escuro da lógica
(Sem desespero de) . . .
Entender cada verso.


17 de novembro de 2008
flor efêmera

Mal sabem as graças que perderam os meus olhos por não vê-la com cuidado: flor pequena, flor efêmera e tão linda.

Das flores que se escondem e não fazem questão de antecipar, de esperar. Simplesmente o são, conjugando de propósito o presente do presente do presente.

Tolo eu, que achava que ela estava ali o tempo todo, sempre pronta a esperar meus olhares. . . Ah, meus olhares, o que tem de mais os meus olhares? Olhares que hoje - eu sei - dedicaria somente a ela, flor efêmera.
Se paro e penso, vasculhando na memória, cada pedaço de segundo de instante com a flor, não posso. Me rendo. Ela queria se fazer desconhecida a tudo, para que somente eu a notasse. E eu? Não prolonguei-me em conhecê-la. Ela tinha tanta vida . . .
Ela me mostrou que não estava à espera, me ensinando de um jeito sutil (e com perfume) que a minha dedicação é que faria a diferença . . . O tempo das flores não é o mesmo do mundo. Os problemas das flores, não são problemas do mundo. Hoje eu sei, que meu mundo quer ser do mundo dela. Quer saber ter olhos.

Mal sabem as graças
que perderam
os meus olhos
por não vê-la
com cuidado:
flor pequena,
efêmera
{e de carne e osso}
.


1 de outubro de 2008
o inevitável

Minha vida não cabe num texto, minhas palavras não cabem nas tortuosas linhas sem rosto.
Eu gosto das coisas descabidas, do infindável que não se enxerga, da sede insaciável de querer ser mais, dos sentimentos inevitáveis.
Aquilo de tentar dizer o que não sente e o outro perceber, sabe? Passando por cima de orgulho, quaisquer convenções e, acabar sorrindo depois do grito.
Os sentimentos inevitáveis e impossíveis, particularmente, são os melhores.
No fundo, nem que seja no fundinho, todos gostam do inevitável. }
Gostam de conhecer seus limites, insistirem que são satisfeitos e serem pegos nas peças dos caminhos, de jeito.
São nos sentimentos inevitáveis que capturo meus olhares mais bem conseguidos. Digo, sim, conseguidos, porque são fruto de intenso trabalho e dedicação: das tentativas nada exaustivas de tentar olhar o que me marca, de forma diferenciada e preferida. E fotografar mentalmente para publicar depois nos sonhos quentes cobertos pelos edredons . . .
São, também, nos sentimentos inevitáveis que me conheço.
Que me movo e me conheço. - I n e v i t a v e l m e n t e -



13 de setembro de 2008
Consciência de águia


Aí o frio invade; com todo respeito - o vento.
O ruído na janela, que quer entrar no meu aconchego particular, tem voz dispersa e parece bradar .
}
Os antigos passos mudos das reticências escritas nas minhas tortas linhas: tagarelam exclamações. (!)
Gostei de me esquecer, pra viver outras de mim, só enquanto o barulho do vento não silenciava lá fora. Depois conheci exatamente as minhas asas.
Eu pude ser tufão, ser tempestade, até a brisa suave me carregar pra dentro de si, misturando aos seus movimentos, a minha alma. Agora já não sei onde começo e onde ela termina. Fizemos um acordo para a calmaria e impulso conviverem bem, e juntos.
Descobri que viver é minha maior responsabilidade, e ser carregada pela brisa cada vez mais alto... Com os pés longe do solo, é minha vontade realizável. Meu alto não é mensurável, tampouco inventado.
Ter Consciência de Águia, voar.
-
[Moça, olha só o que eu te escrevi:
"É preciso força pra sonhar e perceber
que a estrada vai além do que se vê" . . .
Sei que a tua solidão me dói e que é difícil ser feliz
(mais do que somos todos nós).
Você supõe o céu.
/
Sei que o vento que entortou a flor
passou também por nosso lar,
e foi você quem desviou
Com (seus) golpes de pincel.
Eu sei, é o amor que ninguém mais vê!
Deixa eu ver a moça
Toma o teu, voa mais!]
V
o
a
m
a
i
s
Além do que se vê -
Los Hermanos




27 de agosto de 2008
Matizes


Eu acho que a gente tem alma violeta. Já tive vontade antes de ver a cor das coisas que não se vê, ver a cor do que paira em cima dos que estão se casando, ver a cor da alma de uma criança abraçadinha na mãe, ou então a cor do que fica em volta das famílias numerosas, comendo lasanha no domingo.
Eu acho que nossa alma é violeta.
Quando a gente acorda de manhã bem cedo, estica as pernas e faz careta, aí é colorida, só pode ser. E quando a gente segue de mãos dadas por ladeiras, ou durante carinho nos meus cabelos e susto da surpresa boa, deve ser meio vermelha.
Nossa alma deve ter gradações das matizes mais bonitas, posso apostar.
E há quem ache idéia de maluco, mas vai chegar um dia, em algum momento dos surreais que a vida dá de presente, que vai se perguntar carinhosamente, qual devia ser a cor daquele momento. E eu queria estar perto só pra dizer:
"Maluquice te fez bem hein..." e sorrir como pra quem tem um segredo bem guardado.
Não é tudo que merece uma cor própria. Apenas os momentos inquestionavelmente especiais, que param o relógio e te fazem esquecer o resto do mundo lá fora e todos os cinzas e pastéis que possam existir.
-
A cor da minha alma ainda não posso ver, e não há nada de obscuro nisso. Talvez outras pessoas consigam dizer, olhar e até pintar de cores diferentes. Minha cor me engana, vai se transformando, se misturando, ficando ofuscante, cremosa, pálida, vívida (...) Aí eu me confundo e desisto.Mas sei que quando danço ela é azul... Azul claro.



16 de agosto de 2008
mantra do vôo sublime

Nada mais que faça relutar.
~
Voar por aí afora,
descobrir aurora,
fantasiar asas minguantes.
(Asa cadente, voar na asa macia!)
V o a r
a í
a f o r a -
Calar escuro,
mastigar manhã,
morrer no colo e sobreviver.
Voar por aí, afora,
numa aura hora,
pintar esquadros,
de tinta e olhar
pro meu lar, sabiá.
Voar por aí afora,
sim afora,
e a qualquer hora
deitar na grama,
respirar fubá,
tocar madeira molhada
de orvalho e de luz.
Depois da aurora,
e do vôo afora,
deixar os raios entrarem
pela nossa janela,
tocando o café e os pés
(quentinhos da noite de inverno)
E voar por aí (afora!).
E se nada fizer sentido,
só, ser um, só,
na mesma direção
basta.
Voar por aí, afora.
Na nossa aurora,
a qualquer hora . . .
{ oras. }
Voar.


1 de agosto de 2008
{Nota minha nota que é pra te notar,
Canta teu encanto que é pra me encantar}
;
25 de julho de 2008
sempredessemomento

E ela pediu sussurando:


"Que eu me lembre sempre desse momento, que eu me lembre sempre desse momento..."

Ela queria um momento. Um momento de liberdade intocável, de longas prosas não-piedosas e maçantes, mas aconchegantes como uma almofada ao que tem sono.
E que se houvessem dias de não poder se olhar ao espelho, ou então ser afogada por pequenas irritações discrepantes, que ela os mandasse para o espaço! (delicadeza). Estava decidida a viver causando sensações (seja lá quais forem) e pisar não como quem passa, mas como quem marca.
Então se calou e procurou no fundo o que a consumia de forma positiva... Suas boas lembranças as encontraram de um jeito avassalador, do jeito como gosta.
Ligou para sua melhor-amiga de infância, quem não via por bons 6 anos e alguns meses devido à desculpa de "falta de tempo/trabalho demais..." e disse que sobretudo, sentia saudades de quando passavam tardes apontando lápis-de-cor.
Foi até a casa de uma tia velhinha que sempre foi muito presente, mas estava acometida de uma doença que não a permitia sair de casa. Por mais que a tia não se lembrasse mais dela e disfarçasse a felicidade de vê-la, ela pôde sentir o quanto aquela visita tinha sido especial. A tia faleceu 9 dias depois e soube que suas derradeiras palavras foram: "Agradeça àquela moça por ter se importado comigo."
Então, percebeu que por muito tempo se prendeu a fazer o que era preciso e não àquilo que realmente a fazia sentir cócegas internas positivas, e uma súbita disposição a se ouvir muito mais e a transmitir às pessoas que se ouçam muito mais, aflorou.
Não se tratava de puxar o saco de ninguém, tampouco parecer efusiva ou amigável demais. Ela podia perceber quando os toques e os olhares traziam em si algum interesse, que não o de cativar o que é preciso... E muitas vezes se viu irritada com as relações humanas falsificadas e embaladas por pequenos momentos "legais", nunca achou que risadas e presença diária eram combustíveis altamente eficazes para bons vínculos.
Movida pelo que sentiu no momento, sem forçar a barra do que é, e sem se conter àquilo que não quer parecer, fez coisas em que colocou posteriormente o nome de "suspiros espontâneos". Elas eram pequenas, mas modificavam o seu dia e como numa reação em cadeia, o dia de mais pessoas, mais mais e mais.




"Que eu me lembre sempre desse momento . . . "
20 de julho de 2008
hipocris (chéri) ia

Eu tô vendo gente falando muito e sentindo pouco, eu tô vendo palavras que escapam tortamente perdendo significações. Eu tô vendo, despudoradamente, o doce amargo dos dizeres superficiais... E é tanta palavra bonita, é tanta pompa, tanta emoção que primeiro mostra pra depois ser. Ou nem ser.
Eu vejo, manobras calculáveis de jogos de palavras... Que convencem, que desviam, que mascaram uma realidade que ora dói, ora gera desumanidade que enfim, é dor também. Parabéns, você conseguiu de novo arrumar desculpa esfarrapada pra uma realidade que te assusta. Se sente melhor agora?
Ai que esforço exagerado para evitar esforços maiores, quando sentir cada coisa como é, nua e crua é mais simples e correto. (Quem pode falar a palavra 'correto' com propriedade, enfim?)
Como se a vida tivesse que ser um eterno mar de rosas, cheiroso e... cheio de tubarões lá no fundo. NINGUÉM quer ver os tubarões! Eles estão ali! Tubarões... O que tem eles? Vamos ignorá-los! São apenas tubarões... Isso.
Não lance olhares aos tubarões e espere calmamente que eles escolham você como petisco. NÃO! Você não é saboroso, chéri.
Aí tudo vai ficando normal: convenções, aproximações baseadas em pequenos interesses que não alteram, menos ainda acrescentam algo puramente bom na vida e, não podemos esquecer, dos rodeios mirabolantes com as palavras, que querem dizer tudo e não penetrar em nada. (Palavras podem ser usadas tão bem! Por que as fazemos doentes? Ah, se elas tivessem a oportunidade de dizer o quanto se chateiam quando são proferidas inutilmente... Certamente seria um longo sermão de dar dó!).
E o que eu faço quanto a isso? Escrevo? Não quero que seja bonitinho, menos ainda (ênfase no menos ainda, por favor) m o r a l i s m o .
Sei que é uma luta a coerência. Eu também estou falando de atitudes, enquanto atitudes não tem por principal função, a propriedade de "gerar assunto". E não mesmo . . . Mas tem coisa que não dá pra engolir nem com Prosecco (pra ficar claro o sentido), imagina assim, à seco sem 'Pro' mesmo.

- Vai, me leva pra casa. Eu não vou parar o mundo porque eu quero descer. Gosto de ser humano, junto com todos os conflitos que vem no pacote e, me entender como gente que vê o mundo como um lugar de gente é dádiva. Tô falando meio brava, mas ainda tem um riso aqui no canto.



14 de julho de 2008
c a n t o

E se eu sou acalanto, eu fico.
Se os olhos marejam, eu sou.
Se os braços envolvem, realizo.
Se as cores têm mais cor, nós somos
um acalanto que mareja e é.


Vou buscar a serena aurora pra guardar numa caixa com furinhos. Talvez seja maldade, mas abrir e olhar a qualquer hora do dia aquele momento que suas mãos encontraram a minha (mesmo que você tenha feito cara de movimento involuntário), seria demais pra mim. Demais no sentido de bom.
Mas não vou deixar na estante, empoeirando. Vou colocar num pilar creme com relevos na entrada da casa. Ah, essa casa que guarda tanto de você. Nos azulejos, nos quadros, nas janelas... E também nas gavetas e cantinhos.
Vai combinar com a decoração, pode apostar.
Aí eu paro e penso:
{ Será que você tem a sorte de sempre estar nos momentos marcantes... Ou os momentos marcantes só o são por causa de você? }
Segunda opção com luzes piscantes e setas de Drive-Thru.
Meu acalanto é no teu canto, tua voz, teu encanto... (!)
Seu encanto cá no canto da sala-de-estar, me lembra que teu colo é meu abrigo, com fôlego ou sem.

Um canto?

29 de junho de 2008
no image

Então, quando me dá cinco minutos
E eu quero tratar de mand ar
Estabeleço certas coisas:
Mando a palavra rim ar,
e abusada, defronta cara-a-cara.
Mando a poesia cal ar.
Ela cutuca até se fazer pronta
e falante, a tagarel ar...
Mando então, com esperanças
A cor mais viva, se apag ar.
Ela vem, arco-íris
terra, céu, fogo e m ar.
Aí, só pra ser chata,
desisti de tentar mand ar.
Pra dar liberdade pra tudo isso,
E sem querer, eu rimei.
(susto)
28 de junho de 2008
E eu que sombra era,
Fugidia entre espaços,
Anulei por segundos minha força
pra encontrar a tua.
Eu que era piso vacilante,
Me faço e refaço em piso firme
que mesmo assim rege dança
em calçadas largas de grama.
E eu, que era verbo imperativo?
Me permito ser canção,
Ser prosa poética, flexível
Ser rima rara, da manhã.
Eu era, era lago...
Já desaguo em Oceano
Faço sons de ondas leves
Carinho para a areia.
Fui, leite derramado - e -
não chorei. }
.






-
Da primeira vez, era cuidado.
Da segunda vez, a emoção.
Na terceira, meu bem, encanto puro.
E na quarta vez, um adeus sem explicação.


-
Não sou indecifrável,
Descobri quando você chegou
e olhou a alma, com licença.
Falava o que eu pensava,
me esperava dizer,
quando era o que você diria,
nomesmosegundo.
Atirou uma pedra na janela,
E não ficou lá embaixo
A esperar pelas tranças.
Subiu e disse, meio sem jeito,
Oi.
Acho que as coisas fazem sentido...


-

Hoje eu vi pombos tirando a sorte em realejos e crianças comendo migalhas de pão.
Foi na pracinha da infância, que eu andava de bicicleta e comprava amendoins para mamãe.
A sorte dos pombos mudou todo o cenário fantasioso que construí por anos a fio, a sorte queria dono acessível, dono presente. Aquelas crianças não lidavam com a realidade...
Por alguns minutos pensei em tirar tudo do avesso, modificar o que era tão evidentemente constrastante e quem sabe então cirandar com a alegria de um domingo em família. Talvez pudesse parar de pensar e agir ao meu alcance.

Chamei o maiorzinho:
- Menino!

E lhe entreguei uma sorte colorida. Daquelas que se assopram no ouvido e que não fazem sentido no começo, mas que podem impulsionar para um novo dia mais vital. Parece minúsculo, mas um dia já fui quem a recebeu...
Espero que amanhã ele espalhe sorte para seus pequenos e que as pombas, bem, as pombas se coloquem a comer migalhas de pão.


-
26 de junho de 2008
i n s p i r a r


Encontrar a inspiração. . .
Alguém me cutucou de forma equilibrada,
Me fez repensar meus conceitos de coragem
Meus porquês das dificuldades
De apertar o botão “publicar”
- da vida.
Admitir ser, se permitir escrever, escrever livremente.
Agora é lema.

Encontrar a inspiração,
Quando se mostra querendo brincar:
Se esconder por entre balaústres
Chamar com voz fina, distante
E como num lapso, silenciar despudoradamente.
Procurar às vezes cansa.


Encontrar uma simples inspiração
Raios, onde está?
Aqui dentro, lá fora, onde?
Buscar desculpas para não achar...
Pedir desculpas por saber que está aqui.
Qualquer ruído, qualquer som
Se torna motivo para desconcentrar
- Como se aquela naturalidade ganhasse cores opacas.


Encontrar inspiração,
Quando se acostuma a mascarar melancolias
Transpondo versos para o papel.
Surpresa, a vida sem melancolia não tem arte?
Ah, tem. Tem, tem, tem.
Arte leve . . .
Arte sutil . . .
Arte doce e sincera.
É preciso se desligar de costumes,
E mandar buscar sua arte.


"Reencontrar seu embalo. . .
Observar as músicas, as palavras, os banhos"
Observar-se.
"Olhe nos meus olhos então, querida."
Ter a sensação de conhecer.
Não saber a cor da escova de dente, nem o número do sapato.
Mas a alma.
Como tantos passam pelo mundo sem fazer com ninguém.
Uma resposta antes da pergunta feita,
Um afago na precisão que encaixa perfeitamente,
Uma palavra que resuma uma inquietação tão incomum...
Conhecer é além.
Inspiração é ver além.
Transformar os dias em poesias
Extrair ternura de pedras e,
Arrancar suspiros de pequenas quedas d’água.
É não caber em si de tanto que quer dizer.
E, no entanto ficar em silêncio, olhando.
Cada um tem seu poder de transformação
-E metalinguagem não é comigo- mas
As coisas estão aí, meu bem, à disposição de belos olhos internos.
Imagina como seres inanimados podem suar tanta vida
Corrente – eterna – inacabável
E como podemos ignora-los, calando–os violentamente,
Arrancando-lhes a beleza que querem explodir?


Inspirar, aspirar, transpirar.

Fluxo santo de vida.

Fluxo optativo?

Meu fluxo, sem culpa.
2 de junho de 2008
à p a u l i s t a n a


" São Paulo! Comoção de minha vida…
Os meus amores são flores feitas de original…Arlequinal!
Traje de losangos… Cinza e ouro.
Luz e bruma… Forno e inverno morno.
Elegâncias sutis sem escândalos, sem ciúmes.
Perfumes de Paris… Arys!
Bofetadas líricas no Trianon… Algodoal!
São Paulo! Comoção de minha vida,
Galicismo a berrar nos desertos da América"}
- De Andrade, Mario.





"É que quando eu cheguei por aqui eu nada entendi
Da dura poesia concreta de tuas esquinas
Da deselegância discreta de tuas meninas [...]
Do povo oprimido nas filas, nas vilas, favelas
Da força da grana que ergue e destrói coisas belas
Da feia fumaça que sobe apagando as estrelas
Eu vejo surgir teus poetas de campos e espaços
Tuas oficinas de florestas, teus deuses da chuva..."}

- Veloso, Caetano.




.


O Centro Velho de São Paulo. Noite.
Quantas vezes passei por lá e achei tudo aquilo, tão cinza, tão apressado, tão angustiante e feio.
(Bate na boca).
Mas é surreal: como pode o dia barrar certas impressões, ofuscar com a luz natural uma beleza sutil que só o céu escuro, convida pra que se evidencie?
Tive a surpresa de passar pela experiência paulistana noturna essa semana: as ruas parecem mais largas, o frio não era congelante, mas na medida certa. As luzes, os carros não enlouquecidos apreciando a sinfonia silenciosa de seus motores me pareciam cena de filme.









Vou lhes contar um segredo: acho que posso entender de forma pessoal as sensações das pessoas que viveram ali. Tantos romances, tantos sorrisos, tantas macarronadas em família, tantas brigas, tantos escândalos, tapas, serenatas. História viva essa cidade de mil amores... Perigo em cada esquina? Olhe para os postes de luz e veja se consegue sentir medo. Não quero ser prisioneira da fama megalopólica, cheia de tiros. Também não quero fechar os olhos para a realidade mais contrastante que pude tocar.



Lanço duas boas alternativas: Ou há algo de muito belo e misterioso na noite paulistana, ou...


Eu não desisto mesmo de ver as coisas por aquele prisma meio poético, meio romântico...






23 de maio de 2008
no image
As vezes eles se irritam. Quem vê de fora, tem a impressão de que existe um fio imaginário entre os dois, e que propositalmente, querem estourar esse fio caminhando cada um pra um lado, repulsando seus campos magnéticos para quanto mais distante, melhor.
Então surpresa! Fio elástico. Querem repulsa, ganham atração. Chega de escrever fisicamente.
Ele só quer correr o dia todo atrás de algo que não sabe o nome, ficar cansado, suar absurdos, chegar em casa e ouvir ela cantando She, do Elvis Costello, no chuveiro, belamente desafinada, sem vergonha de que alguém lhe diga que está totalmente fora do ritmo:

"She...
May be the face I can't forget.
A trace of pleasure or regret
May be my treasure or the price
I have to pay..."

E então, depois de recuperar a frequencia cardíaca ideal e dizer que ela está linda, a levar pra um lugar atípico e marcante. Pode ser comer jabuticabas direto do pé, ou andar de kart numa pista velha. O lugar é o que menos importa, desde que consigam brigar sossegados, e depois fazer aspazes amorosamente.
Claro que essas coisas nunca vieram a acontecer, ele apenas queria que fosse assim.

Ele a confundia com seus sinais de censura, então, na madrugada, ela se percebe sozinha vagando pela internet, sem saber onde visitar, lendo páginas repetidas de blogs por aí, como se não pudesse mais controlar suas pulsões. Ela tinha que admitir: só o queria por perto, num longo abraço, e aí sim internet nenhuma seria relevante. A sensação de imaginá-lo dormindo (calmamente, com bons sonhos) enquanto ela perdia o sono, penando em tentar encontrar na memória olhares mútuos que expressassem carinho, para ela parecia aterrorizante. E sim, era era o tipo de pessoa que transformava as coisas em cenas aterrorizantes, não a julguemos por isso.

"Eu deveria estar dormindo essa hora... "
Ela olha para o lado e de relance, vê seu caderno-filho jogado ao chão, com algumas folhas rasgadas. Foi da noite em que releu suas anotações infantis a respeito de como aquele florescer surgiu, inquietantemente, em seu coração fraco. Bate o arrependimento de ter rasgado. Garanto que se estivessem presentes na cena, veriam o quão inexpressiva era sua expressão... Juntando, ridiculamente, pequenos pedaços de papel, que de um jeito ou de outro, eram parte de sua história. Um dia poderiam servir para chorar e lembrar que gosto tem lágrima de amor.

"Ah, pequena menina, se você soubesse... "

Os dois olhavam para a lua ao mesmo tempo, querendo sonhar um dia vê-la juntos. Os dois amavam caladamente, falando baixinho para que nem mesmo eles consiguissem ouvir. Os dois sofriam pela não-chance de dizerem claramente, sem metáforas ou inseguranças, o quanto se queriam. (!)
Os dois eram amantes-teimosos-que-não-queriam-transformar-seus-sentimentos-em-algo-meramente-relacional.
E é tudo tão simples, pombas: falha de comunicação. Anos de falha de comunicação...

//

Que bom que a vida
Sutil e violenta
Nos dá carinhosos tapas
De preocupação maternal.
Que bom que a vida
Sutil e violenta
Traz maré de boas novas
Que a gente custa a entender...
~
15 de maio de 2008
t o d o d i a


Eles nunca se falaram.

Um casal de velhinhos que transpira jovialidade escondida atrás das rugas e do grisalho, pega ônibus comigo todos os dias. Sentam sempre no mesmo banco e me falam o mesmo 'bom dia' cordial com tons e volumes iguais, soando querer um pouco de atenção.
O ônibus azul boreal, sereno-paraíso da paulicéia desvairada.
Ele está sentado, num silêncio mortal, com o olhar vago, estático... Não vê prédios, não vê Sóis, a sós, nós desatados, nós todos ali dentro, ninguém.
Quando ela entra no ônibus, o olhar desperta, ele se levanta para ela passar e se apossar do lugar que ele guardou como um tesouro. Que tesouro.
Ela sorri gentilmente.
Trocam olhares durante a viagem e posso apostar que querem dizer:
"Hoje temos trânsito. Que bom."
...
Quando o estado de vigília se torna pesado e o sono toma conta do pescoço e se alastra pelo corpo todo, ele encosta, meio sem querer, a cabeça no ombro direito dela, sente seu perfume de boneca de porcelana antiga. Sem graça, ela não reclama, nem aceita. Talvez não diga nada para não estragar esses momentos preciosos da manhã que a acompanham pelo dia todo. É assim há anos a fio.
Se conhecem, conversam horrores e é incrível:


Eles nunca se falaram.



-------------------------------


"-Dance with me?
-We can not dance in the street.
-We can dance in the street!



{dom, doron.. dom dom.. } "







-------------------------------



Hoje eu Acordei Cheia da Sua Ausência
E Com uma Saudade Cutucante.

Teu Barulho Perfurando o meu Silêncio,
Teu Olhar Vivo nas Paredes
{Piscando Quando eu Olho, Calando Quando eu Quero}
Eu Apago a Luz, Você não Some,

Tua Promessa Grita,
Teu Nome Lateja,
Tua Persistência Persiste.
Nossa Sincronicidade Continua Eficaz.

Pode Correr, Anja,
É Aqui Mesmo que Você se Largou, se Deixou.
Deixa um pedaço
{Um Cheiro, Uma Voz}
Só Pra eu Lembrar de Vez em Quando,
Quando a Saudade Cutucante Quiser, no Susto,
Cutucar Novamente.


à Yumi.
(saudades da japa!)



-------------------------------


Cheiro de baunilha hoje.
//

embalada por: I Walk The Line {Johnny Cash
5 de maio de 2008
no image


{Luz baixa, música lenta, ambiente familiar, cheiro de vontade de ser feliz. bem piegas.}


Se for pra dançar apenas com movimentos mecânicos,
Da forma como todos se acostumaram:
Me observo sendo atraída pelo estático.
Houve um tempo de balanço, ritmia natural
Tudo parecia conspirar...
A música podia nos levar pelas luzes da cidade
Quem passava, via feixes de nós passeando por calçadas,
Seguindo a melodia da cidade dos nossos ouvidos,
{que além de ser a mesma}
Era diferente das buzinas ofegantes, dos carros apressados, das pessoas-trânsito, das motocicletas costurantes. ufa.
Nos faróis, nas noites de chuva pouca,
As pernas não pediam sutilmente para que eu parasse.
Porque havia algo mais forte que pedia:
Continue dançando, dançando, dançando...
Ainda é você.
O pretérito é perfeito, presente e constante.
Prego o original: surpreenda-me se for capaz,
Eu sei que você pode, sem que eu precise pedir.
Não te cubro de expectativas idealizadas, não.
Só sei perceber os teus confusos sinais de pieguice disfarçada.
Tenho medo de dirfarces mal cumpridos!
Tenho raiva de disfarces bem cumpridos.
Tenho medo E raiva de você.
Depois da chuva vou te telegrafar um telegrama molhado
Com letras escorridas!
E mesmo que você não entenda,
O que importa é que eu fiz sair de mim
Naquelas palavras mal traçadas
O que estava remoendo há algum tempo.
Ainda - depois da chuva -
Se conseguir não me dizer as palavras iguais às danças tão iguais,
Vou te devolver o guardanapo beijado
Da noite em que o garçom quis recolher as ultimas cadeiras
Não havia mais ninguém na pista,
E Nós, ah nós..
Continuamos dançando, dançando, dançando...
28 de abril de 2008
no image

" Hoje eu quero marcar sua vida "
era a placa.



Logo abaixo se via em letras reduzidas:
" Volte amanhã e leia de novo "
.
Então alguém disse, quase sussurrando:
- Você conseguiu.
.
{homenagem às placas de "Fiado só amanhã" das padarias da cidade}
m a ç ã s

Um ônibus, um riso
{nonsense}
Uma conversa agradável
Dois olhos fechados, uma cabeça, um ombro, três lágrimas e meia caem manchando a camiseta que eu te dei.
Vira a página: frescor de uma lembrança pícara.
Diferenças desiguais, iguais, desiguais
convívio gera dor de gêmeo, acontece.
O olhar traduz, a palavra confunde
pronto, era só pra gente rir.
Quero ser seu feixe de esperança
{ quando só mesmo a esperança restar }
E também a risada mais gostosa e incontida
da piada secreta, viva e pulsante até pra sempre.
Não preciso de juras, promessas e declarações,
pausas, fragmentos de você, dúvidas de nós,
perguntas, relatórios, pedidos levemente impostos...
distribuir folhetos com nossas fotos, pra que vejam como somos felizes.
Não. { ! }
Preciso só de você, do jeito que é, comigo aqui:
olhando nos meus olhos
daquele jeito puro e confortante
do diálogo mais profundo, não vocálico...
E da graça das manhãs de sábado
quando paramos pra desabar nossas noticias semanais.
É só parar por um instante - durante o corre-pra-lá do dia corrido -
e vem a melodia daquela canção que nos en{canta}
um viva pra naturalidade sem sufoco, sem esforço.
Pode brigar comigo quando me ver caminhando t o r t a m e n t e
E vamos por aí, nas ruas da cidade,
comer maçãs.
v a g a l u m e s

 Brincando de correr entre vagalumes
sem querer pegamos uma estrela baixa
roubamos todas as flores pra esconder perfumes
estrelas, vagalumes dentro de uma caixa
E foi até estranho, a gente nem deu conta
talvez na outra ponta, alguém pudesse pensar
menino vagalume, flor, menino estrela,
a brisa mais forte veio te buscar{...}


Deixa pra lá o que não interessa,
a gente não tem pressa de viver assim
feito platéia da nossa própria peça,
histórias, prosas, rimas, sem começo e fim
Pra temperar os sonhos e curar as febres
inserir nas preces do nosso sorriso
brincando entre os campos
{das nossas idéias}
somos vagalumes a voar perdidos...
a voar perdidos.
18 de abril de 2008
c a c a u

/ O bucólico e o caótico moram aqui,
quem tem olhos que veja. Vês?
Procure, rasgue, revire do avesso
e ainda assim:
parte de mim não será visível, se [eu] quiser.
Arrisco me definir sem me delimitar
convivo comigo, me sei.
sou o movimento, a intensidade que eu achei pra mim
que não é a mesma que a sua, que a sua, que a sua.
Gosto de sentir as dores do jeito que é bom:
-cutucando cada ferida.
Elas passam, passam sim.
Não se engane com minha aparente fortaleza
olha no meu olho, vês doçura?
Quem tem olhos que veja:
o doce tem nome, e é CACAU.
não desista:
às vezes digo o que não quero, quero o que não digo,
perceba sem que eu precise me esforçar.
No final, eu sei, estarei no lugar certo na hora certa
e vou parar só pra admirar.
a protagonista da minha vida sou eu, caos.
Falais baixo se falais de amor,
esse é meu idioma, não ligue...
Eu guardo um oceano aqui dentro
{ as ondas chegam até a praia }
e, voltam.
em breve, o vento as leva pra mais longe [!]
eu sei, eu sei, caos.\


{ à cacau grando, com carinho }
15 de abril de 2008
no image

Não. Não quero. Me recuso a sorrir sempre, como numa felicidade inabalável e com cheiro de algodão-doce. Chega de forçar a barra, gargalhar das comédias do cinema até ficar com dores abdominais, quando no fundo eu só queria arranhar os dentes e morder o travesseiro. Cansei de olhares complacentes, que me querem por perto só quando estou bem. Eu quero vivacidade, quero briga, quero perdão. Quero amor mesmo nos dias de humor instável. Suportar não é amor, amor é amor e pronto, ponto. Chega de tomar Champagne e parecer sempre pronta pra festa. Eu quero acordar despenteada, eu sou de verdade, eu sou m u l h e r.


- Me abraça pro tempo parar de novo?
O silêncio e os olhos fechados consentiram.
{ . . . }
10 de abril de 2008
b a t a l h a






É difícil admitir, mas a maior e mais difícil batalha é contra si próprio.
Ela descobriu isso enquanto caminhava pelo jardim na noite de um verão bem definido. As flores pareciam sombrias, mas não eram; a lua parecia não existir, mas existia.
E dentro de si acontecia uma guerra de espada e escudo.
A ânsia de ser mais se misturava com o medo de se desprender do seguro... Ali, naquele momento ela só queria um cantinho pra poder chorar em paz.
- Não fuja - ela sussurava baixinho pra seu lado mais medroso.
Ela era bem resolvida, sabia bem onde estavam suas feridas abertas e não podia reclamar que "não conhecia seus sentimentos e por isso não sabia o que fazer com eles." Ela podia descrever exatamente, quase como um relatório clínico: insegurança, luta interna, sonhos que eram afogados por abruptos lances de dúvida, pensamentos coloridos e lindos que criaram um receio de estar vivendo uma vida estagnada pelo comodismo tão indesejável que cerca a vida de tantas e tantas pessoas... Ela só queria a felicidade plena, acreditava que existia.
Não queria um manual, nem uma poção-mágica-sobrenatural-super-eficiente. Talvez ela gostasse mesmo dos extremos, sentir cada coisinha, com sua especialidade, no seu momento certo... Sem viver do "morno", do "metade", do "talvez". Quem é meio feliz, é meio triste também...
Sabia que aquilo podia ser normal e que talvez algo dentro dela estivesse exagerando, aumentando as formas das situações, das palavras, dos gestos... Para que ela pense que tu-do é ab-sur-do. Ela só queria repousar seu coração num cantinho que ele batesse sossegado, livre, passaroso {...}
Lutar contra pessoas traz fatos. Um ganha: parabéns; outro perde: querido, se conforme.
Lutar contra si traz o que? Você vai perder e vai ganhar. Teu lado vencedor consola teu lado perdedor? Isso soa um tanto irreal...
Cada passo silencioso trazia consigo um entendimento: "Preciso achar qual preço pagaria pelo risco de me sentir totalmente completa" . Cada suspiro ofegante trazia uma esperança de que por mais que o tempo passe e as coisas pareçam escuras, ela estava bem próxima de entender o porquê das inquietações...
Qual parte {das partes} das pessoas as faz desistir, ceder, cair?
E qual parte {das partes} das pessoas as faz seguir em frente, buscando seu mais íntimo sonho?

Talvez a parte inteira, não sei.
no image

http://br.youtube.com/watch?v=ioAQTwc8Oas

} When your day is long and the night / The night is yours alone / When you're sure you've had enough of this life / Well hang on / Don't let yourself go, 'cause everybody cries / and everybody hurts, sometimes ...
Sometimes everything is wrong, / Now it's time to sing along / When your day is night alone (hold on, hold on) / If you feel like letting go (hold on) / If you think you've had too much of this life
Well hang on / 'Cause everybody hurts / Take comfort in your friends / Everybody hurts
Don't throw your hands, oh no / Don't throw your hands / If you feel like you're alone
no, no, no, you're not alone / If you're on your own in this life / The days and nights are long
When you think you've had too much / of this life, to hang on / Well everybody hurts,
sometimes, everybody cries, /
And everybody hurts ...
sometimes
But everybody hurts sometimes / So hold on, hold on, hold on, hold on, hold on,
hold on, hold on, hold on, hold on, hold on
Everybody hurts / You're not alone {
/ R.E.M.

8 de abril de 2008
p r a t o   p r i n c i p a l



{ tudo na vida é digestão.
uma morte, uma dor, uma alegria exacerbada.
Aquele amor engarrafado, aquela memória que não sai do consciente:
{e aquela outra que a gente sabe, no íntimo, que o inconsciente pescou}

Um sonho impossível, se é que eles existam;

uma frustração, uma piada;
um jogo de pa-la-vras, verbalizado ou não.
se não der pra digerir tudo na vida,
engula a seco que o tempo trata de fazer o resto.
só não pode mastigar, mastigar, mastigar
e cuspir como quem renega sua própria origem.



A vida é um prato que se come quente,

e saber degustá-la é uma arte milenar

que podemos escolher morrer sem aprender,
ou tratar como um ensinamento de mestre...
Os acontecimentos saem do forno esperando aprovação ou repulsa.

Revezam entre sabores e dissabores tão intensos e merecem a devida atenção {!}

Só não se esqueça que quem preparou a receita foi v o c ê.



El grand chef: o homem }
7 de abril de 2008
l e v e z a




Eu gosto dessas manhãs.
Acordar cedo me causa fadiga, mas de uns tempos pra cá o ato de levantar da cama tem sido muito saboroso.
Eu fico resistente, com vontade de hibernar, até a hora de sair lá fora e sentir aquele frio não-congelante invadindo os poros da pele, quase pedindo licença...
O céu branco esconde alguma coisa e dá vontade de ir lá descobrir, não sei se esconde claro, não sei se esconde escuro, não sei se esconde mil histórias e cenas desenhadas pelos formatos das nuvens.

O tempo passou, meus passos passaram e o Sol apareceu. Bem vinda seja a luz! Que aquece aqueles que pedem pra que cesse o frio {da alma} .
Agora é hora da nostalgia trocar de lugar com o céu branco e trazer consigo um tempo agridoce. Aquele tempo de outros outonos, de risadas incontidas, de abraços confortantes, de olhares estáticos e expressivos. . . E surpreendentemente uma saudade pra frente, do que ainda não conheço, daquilo que sonho e aspiro com as forças cardíacas e, pulmonares.
Esse tempo me faz parar pra olhar. Me pede sutilmente que eu não viva meus dias sem sentido, sem percepções: acorda, come, trabalha, dorme, acorda {...} . Não, viver assim é aprisionar-se a um labirinto muito do SEM-GRAÇA.


Nossos dias são tão leves e marcantes quanto queremos que eles sejam.


Eu gosto, gosto do outono.
6 de abril de 2008
p r i s m a




Os pontos de vista se distorcem, as palavras transmitidas tomam outras significações no caminho até teu ouvido, ver o mundo com outros olhos às vezes é mais penoso do que parece. Viver dentro de formas geométricas pré determinadas torna-se cansativo, isso é quadrado; aquilo é redondo. Meu bem, somos prismáticos e nos enquadramos perfeitamente no encaixe do não-encaixe. . .


As inumeráveis faces do ser ficam mais evidentes quando NOS permitimos sem resistências. Não precisamos { cada segundo, tic tac tic tac } distribuir definições objetivas para tudo e todos. Respeitemos então cada digressão humana para que possamos crescer dentro de nós mesmos, como: h u m a n o s .


~


Escolho dia após dia, primavera após primavera, a não-contentação de me encarar como pronta. Quero mais v i d a na memória, mais c o r do lado de fora da janela, do lado de dentro da pele.
f l o r a ç ã o


pequena floração surgiu, agora é tarde. você pensa que me olhar meio de lado e disfarçar tão propositalmente só me faz achar graça? queria que visse o tufão que causa quando estou sozinha { ou melhor } que sentisse um tufão nascendo dentro de v o c ê sem poder refletir no teu externo. queria lavar a calçada com água corrente e ver as folhas secas que você deixou, escorrendo pelo bueiro.
mas é utopia!
moralidades me cercam de um jeito bem avalassador: causaria um alagamento e não é prudente utilizar tanta água.


tudo bem, tenho aprendido. ~ quem sabe meu jeito fugitivo não te perturbe? saberá então { assim como eu sei } que florações não surgem, se constróem.
a b    i m o    c o r d e

Ab imo corde,
Mexe-se, escorre, sangra, acalma.
Bate em descompasso e de repente,
adormece calado, numa alegria disc discr discre discret discreta . . .
Da pureza da criança a sensatez senil
Quer ser mestre, quer ser pai de reviravoltas colossais,
[ e daquelas que ficaram guardadas na gaveta, sem impulso suficiente ]

. . .


Ab imo corde,
Linda ritmia numa canção imperfeita.
és maior que eu? és pequeno como pareces ser?
alguns defendem:
"órgão muscular, bombeia sangue, dois átrios e dois ventrículos".
outros insitem:
- um oceano emocional, guia confiável dos olhos que querem ser cegos [ ? ]
Ad imo corde,
l u z d i v i n a, l u z i n t e r n a.



L U Z.


Ab imo corde: no mais profundo do coração.
t r a n s p a r ê n c i a



Ela desejava {ao menos por um dia} ser cinzenta, ser outono, ser o 'basicamente'. Que conseguisse sublimar seus sentimentos, amassá-los até a cura, sem que as pessoas sequer notassem [...] Andar numa bolha {rígida e maçiçamente preenchida de cor} para que suas expressões ficassem engavetadas a sete, oito, nove chaves.


Mas no mais íntimo e natural do ser, ela sabia que "destransparecer" sua transparência tão evidente, era o mesmo que enganar a si e fingir ser alguém que não era. Sim, ela não tinha o filtro que separava o que ficaria guardado para ela e o que todos podiam ver. E a necessidade de esconderijo então passava rapidamente, quase como um lapso.

{ Só não sabia quão saudável/ destrutivo isso podia ser}
c o t i d i a n o | o avesso dos ponteiros


O tempo passa e engraxa a gastura do sapato
Na pressa a gente não nota que a lua muda de formato...
Pessoas passam por mim pra pegar o metrô
Confundo a vida ser um longa-metragem
O diretor segue seu destino de cortar as cenas
E o velho vai ficando fraco esvaziando os frascos
| E já não vai mais ao cinema |