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Mostrando postagens de Abril, 2009

Monólogo

E por que não calar a pressa, estapear os moldes e golpear as amarras? Por que insistir que não há tempo pra olhar o essencial, sendo que corremos tanto pra termos tempo suficiente pra sermos enfim, felizes? (Corrida desenfreada até o nada?)
Por que deixar de dançar os ritmos mais doces não importa onde estivermos, ou então deixar de olhar o céu laranja ser engolido pelo azul em noites claras?
É tudo esquecimento? É tudo falta de sensibilidade?
Sensibilidade faz falta.
Uma parada proposital no dia, pra aprender uma lição.
Uma flor arrancada do galho da calçada, murcha e sem perfume, mas recolhida com amor pra entregar ao bem-me-quer.
Uma observação sutil na rua, de uma criança a conhecer o mundo, com aqueles olhinhos pequenos e tão vivos.
Uma corrida até o amor pra dizer uma palavra de carinho, ofegante e suada.
Ou qualquer coisa que é olhada de dentro pra fora. Como as coisas devem ser. Sabe como é?

Talvez, se um dia, eu conseguir apontar o simples às pessoas... O quanto as coisas p…

certas palavras erradas

Certas palavras me inquietam. Certas, erradas, e não outras.
Elas parecem me servir, de um jeito enevoado e propositalmente censurado, para não vir à tona tão claramente.
As vezes, quase frequentemente, me suscitam a imagem ínfima de uma guerra literária. Das pacíficas e frias e quase incontidas. Não das guerras gramaticais e de soldados que lutam pra ganhar: a de guerra que luta só pra guerrear.
Como num jogo de inspirações e citações mal escondidas, ou de recados subentendidos, ou de qualquer coisa que signifique muito naquelas noites de solidão povoada, regadas a melodias agridoces.
Tudo isso pra chegar num consenso declarado, de páginas reviradas que tomam sentido, de versos mal escritos que cubram as tropas vitoriosas com a capa da identificação.
E de fato, não é e nem precisa ser a literatura o objeto primordial da direção dos ataques e recuos: são as idéias, os sentimentos, aquilo que de abstrato e tão intenso só a nossa linguagem consegue exprimir.

Sabe aquelas festas de piano…