25 de julho de 2008
E ela pediu sussurando:


"Que eu me lembre sempre desse momento, que eu me lembre sempre desse momento..."

Ela queria um momento. Um momento de liberdade intocável, de longas prosas não-piedosas e maçantes, mas aconchegantes como uma almofada ao que tem sono.
E que se houvessem dias de não poder se olhar ao espelho, ou então ser afogada por pequenas irritações discrepantes, que ela os mandasse para o espaço! (delicadeza). Estava decidida a viver causando sensações (seja lá quais forem) e pisar não como quem passa, mas como quem marca.
Então se calou e procurou no fundo o que a consumia de forma positiva... Suas boas lembranças as encontraram de um jeito avassalador, do jeito como gosta.
Ligou para sua melhor-amiga de infância, quem não via por bons 6 anos e alguns meses devido à desculpa de "falta de tempo/trabalho demais..." e disse que sobretudo, sentia saudades de quando passavam tardes apontando lápis-de-cor.
Foi até a casa de uma tia velhinha que sempre foi muito presente, mas estava acometida de uma doença que não a permitia sair de casa. Por mais que a tia não se lembrasse mais dela e disfarçasse a felicidade de vê-la, ela pôde sentir o quanto aquela visita tinha sido especial. A tia faleceu 9 dias depois e soube que suas derradeiras palavras foram: "Agradeça àquela moça por ter se importado comigo."
Então, percebeu que por muito tempo se prendeu a fazer o que era preciso e não àquilo que realmente a fazia sentir cócegas internas positivas, e uma súbita disposição a se ouvir muito mais e a transmitir às pessoas que se ouçam muito mais, aflorou.
Não se tratava de puxar o saco de ninguém, tampouco parecer efusiva ou amigável demais. Ela podia perceber quando os toques e os olhares traziam em si algum interesse, que não o de cativar o que é preciso... E muitas vezes se viu irritada com as relações humanas falsificadas e embaladas por pequenos momentos "legais", nunca achou que risadas e presença diária eram combustíveis altamente eficazes para bons vínculos.
Movida pelo que sentiu no momento, sem forçar a barra do que é, e sem se conter àquilo que não quer parecer, fez coisas em que colocou posteriormente o nome de "suspiros espontâneos". Elas eram pequenas, mas modificavam o seu dia e como numa reação em cadeia, o dia de mais pessoas, mais mais e mais.




"Que eu me lembre sempre desse momento . . . "

Marina Cruz

É Psicóloga por formação, Educadora por vocação e Falartista por opção.

6 comentários

  1. eu jná pedi assim...
    feito tantra.
    E nunca me esqueci.

    beijos, querida!

  2. Adoro esses textos com gostinho de Marina, sabe?
    Tão doces que dão uma vontade estranha de, sei lá, viver a vida, sabe?
    De curti-la, apreciá-la!
    Coisa que só as tuas letrinhas conseguem, menina.

  3. Cah says:

    Aii que lindo!
    O primeiro passo para felicidade é fazer o outro feliz! =)

    Beijos

  4. Menina, tudo genial por aqui! O título matou; juro; magnífico!

    ;D

  5. Lembrar é o modo de deixar vivo. Pescar cheiros, sensações e palavras, como se não houvesse tempo para levar embora...

    Me vi nas suas letrinhas.