22 de agosto de 2010
De um lado da rua, um rapaz respira profundamente com os lábios encostados nos ombros de sua namorada, fecha os olhos por alguns instantes e continua a caminhar; ela o olha como se fosse a primeira vez e pisca longamente consentindo o gesto de carinho: eles se sabiam amores mútuos.
Ao lado deles passa uma moça sozinha, de óculos escuros, sorrindo sutilmente e andando com passos leves, porém rápidos, quase flutuantes: por certo, havia acabado de sair de um abraço bom... A moça, em sua total distração, esbarra num casal que fala alto, com expressões raivosas: ela olhando para frente, ele olhando para ela. Ela tentando manter as aparências, ele tentando se manter calmo. Ela sonhando com outro alguém. Ele também...
Eles estavam muito próximos, porém muito mais distantes do que se é capaz de supor...
Do outro lado da rua, um senhor carrega flores, lindas gérberas! Avançando o olhar na direção em que ele caminha, se vê uma senhorinha simpática, aguardando a surpresa... Talvez, não tão surpreendente, já que há muitos anos era notícia sabida as gérberas serem as preferidas, mas com certeza a "surpresa" era infinitamente amável, pelo olhar de ansiedade que ela não consegue esconder... A cada passo do senhor, que  já não era um primor na rapidez, a senhora sentia seu próprio coração batendo mais e mais forte...
No caminho até a sua senhora, o senhor passa ao lado de um jovem. Um jovem bonito, porém com um jeitinho de sozinho... Anda olhando para baixo, mordendo os lábios, quase sem saber onde pisa. Na verdade, sabe, ele só queria ter alguém para lhe sugerir que leve uma blusa ao sair de casa, porque pode fazer frio mais tarde... E pela infinita necessidade de ter alguém, sem nunca confiar que haja a pessoa certa e, sem coragem para admitir que perdeu-se a vida toda em relações errantes, ele insiste em viver, semana após semana, resfriado e, com todas as suas blusas sempre guardadas nas gavetas...



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"sweet darlin, come hold me,
Just a little bit longer now
Sweet darlin come hold me,
Just a little bit longer now

When things were a little bit clearer
When you got nearer
I shied from your touch
Now that I know what I want, see,
I think that it haunts me,
I want you too much."



Marina Cruz

É Psicóloga por formação, Educadora por vocação e Falartista por opção.

2 comentários

  1. Roberta says:

    Imaginei tudo isso acontecendo na praça da matriz não sei porque...rs Lindo!

  2. Ha quanto tempo eu não passo por aqui!!!
    Céééééus!
    Como você está? Posso te linkar lá na Escritoteca?
    Vais pro nacional?
    Beijos!