4 de fevereiro de 2011
"H.,


Eu não sou um exemplo de destreza, mas para isso há que se ter coragem: não evitar, nem ter medo, das fortes emoções e, você há de concordar: desse mal não padeço.
O sentimento de continuidade, que para a maior parte das pessoas se dá na mais serena das possibilidades, para mim acontece na mais inquieta das surpresas: as emoções puras, como vêem ao mundo, cruas e nuas. [...]
Continuar para mim não corresponde a dizer: "hoje está como ontem", mas digo: "Hoje há outra chance de me surpreender..." Senão a continuidade não vem. Tudo é macro, tudo é vida, seja a mais exuberante alegria ou, a mais desoladora tristeza.
Mas você me disse naquela quinta e de tão forte, eu decorei: "Ah, menina das intensidades... A vida não é só explosão. Há que se aquietar um dia... Porque te digo: o sorriso vai embora, a lágrima também, mas você fica. E você se faz companhia para todo sempre... O que há em você que te suporta? O que há em você que te basta?". Ai, sua sinceridade me consumiu. Me revirou. Me conheceu.
E daí, H., quero retribuir tamanha generosidade, abrindo o jogo com você: eu me alimentei de surpresas por toda a vida, sem nunca sentir fome, mas você chegou e eu fui assaltada pela maior delas. Esta surpresa me roubou foi a alma: eu quis ser somente feliz para sempre. Quis guardar o meu próprio tesouro num outro coração. O teu.


Carinho,
Lily."



Marina Cruz

É Psicóloga por formação, Educadora por vocação e Falartista por opção.

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