26 de junho de 2011
Viveu dias em que todas as realidades foram aumentadas, em que cada olhar pareceu um abraço, em que algumas vozes gritantes estavam mudas [e mereciam estar].
Viveu dias em que agradeceu por estar confusa, sem saber o que seria dela se tivesse uma única história para viver. [o perigo de possuir apenas uma história as vezes vem à tona como uma verdade difícil de digerir].
Viveu dias em que se surpreendeu com a falta de noção das pessoas ao seu redor e, viveu outros em que se surpreendeu por estar surpresa. [a falta de noção é corriqueira] - Deveria se surpreender na verdade, é com a coerência humana. [se é que há].
Viveu dias intensos [e exclamou sozinha: ainda bem!]



Viveu conversas sobre laços... Sobre vínculos... Sobre afetos. Ao adormecer, percebeu que viveu "bons encontros". [e esta expressão a acompanhou por semanas]
Viveu dias ácidos, em que as pessoas desconhecidas lhe pareciam mais amigas que as de longa data. [identificação inesquecível, efêmera e intensa] Viveu outros em que alguns bons amigos a despertaram com suas almas dispostas e vivazes [solidariedade e carinho]. Mostraram que  sabiam o caminho para encontrarem seu coração. E quiseram ir até lá.
Viveu dias surreais em que mergulhou na transitoriedade, acolheu a instabilidade e deixou-se mobilizar pelo caos. Nestes dias [espera que para sempre] pôde falar do que é difícil, deu espaço para o sofrimento, que é real, é concreto. E riu. Riu de tanta hipocrisia que a circundou nas guerras frias que presenciou... [já viu sorrisos mais amarelos que as páginas deixadas na gaveta].
Viveu dias em que quis estar inteira para poder ser mais pra quem é tão tudo, e ainda não sabe [estes dias seguem sem previsão de término]
Viveu dias em que quis enxergar margaridas nas vestes cinzas das suas esperanças e, só encontrou cinza. [as vezes um charuto é só um charuto...] Viveu dias em que preferiu nada saber, inocentando-se das consequências racionais...

Viveu dias em sentiu sua humanidade na pura condição de ser quem é. Amou. Conheceu. Sorriu. Saboreou o sentido das coisas. Se relacionou e, acima de tudo: viveu e ainda viverá. Sabe-se lá quantas vezes ainda experimentará as mesmas sensações e, seus inversos e reversos. [enquanto ainda tiver alma]



Marina Cruz

É Psicóloga por formação, Educadora por vocação e Falartista por opção.

2 comentários

  1. L. says:

    sou sua fã. tô esperando sair o seu (ou nosso) livro.

  2. Marina says:

    também sou sua fã e, tenho tido muito apreço por tudo o que é "nosso", fica a dica :)

    (editoras, melhor ficarem atentas! rs)