18 de dezembro de 2012
menina marota, sonhei contigo.
na fantasia eras tão jovem, como do jeito que te conheci. como do jeito que ficaste dentro de mim.
estavas sentada ao canto, com o olhar longe e os cabelos simetricamente arrumados.
{ agora o que sei a teu respeito? nem sei mais se perdes tantas horas do dia organizando as mechas morenas }
me pego pensando se ainda conservas contigo tuas convicções tão viscerais.
se ainda tens aquela mania de fazer piadas infames e virar de costas, fugindo de mim.
se tuas mãos continuam as mais macias do Universo ou se já se tornaram ásperas como um rosto que desacredita na vida.
mas principalmente: se continuas a confiar na tua escrita e, se ainda possuis um certo caderno de poesias.
{ espero que sim, pois me deste de herança em tempos remotos }

tua imagem é tão viva em mim.
lembro dos trejeitos, do perfume,
da juventude ardente, das roupas pretas,
da tua voz cantando pra mim e ao telefone na madrugada,
do violão doce, da lua, da calçada da minha rua e você correndo...
chegando no meu quarto.

é como um filme muito antigo que a gente gosta de rever sempre que pode.
{ talvez este tu tenha mesmo ficado lá atrás, como meu eu, como todos eles } e isso não é necessariamente ruim: o destino chegou bonito, segue vivo e com ternura.
eu apenas gostaria de vê-la colhendo as rosas que plantaste pela vida. de saber tuas lutas e tuas glórias, pois torço por elas todos os dias.
vivi na pele paixões, me deixei escorrer pelas mãos do tempo, que inverte a ordem dos destinos e omite mil acasos.
me vejo pleno.
te quero plena.
quero que tua vida tenha doçura, intensidade e sorte
e que não te percas jamais de quem és: infinita e indecifrável. eterna anja rebelde...

Clementine - eternal sunshine of the spotless mind

Marina Cruz

É Psicóloga por formação, Educadora por vocação e Falartista por opção.

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