27 de agosto de 2008

Eu acho que a gente tem alma violeta. Já tive vontade antes de ver a cor das coisas que não se vê, ver a cor do que paira em cima dos que estão se casando, ver a cor da alma de uma criança abraçadinha na mãe, ou então a cor do que fica em volta das famílias numerosas, comendo lasanha no domingo.
Eu acho que nossa alma é violeta.
Quando a gente acorda de manhã bem cedo, estica as pernas e faz careta, aí é colorida, só pode ser. E quando a gente segue de mãos dadas por ladeiras, ou durante carinho nos meus cabelos e susto da surpresa boa, deve ser meio vermelha.
Nossa alma deve ter gradações das matizes mais bonitas, posso apostar.
E há quem ache idéia de maluco, mas vai chegar um dia, em algum momento dos surreais que a vida dá de presente, que vai se perguntar carinhosamente, qual devia ser a cor daquele momento. E eu queria estar perto só pra dizer:
"Maluquice te fez bem hein..." e sorrir como pra quem tem um segredo bem guardado.
Não é tudo que merece uma cor própria. Apenas os momentos inquestionavelmente especiais, que param o relógio e te fazem esquecer o resto do mundo lá fora e todos os cinzas e pastéis que possam existir.
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A cor da minha alma ainda não posso ver, e não há nada de obscuro nisso. Talvez outras pessoas consigam dizer, olhar e até pintar de cores diferentes. Minha cor me engana, vai se transformando, se misturando, ficando ofuscante, cremosa, pálida, vívida (...) Aí eu me confundo e desisto.Mas sei que quando danço ela é azul... Azul claro.



Marina Cruz

É Psicóloga por formação, Educadora por vocação e Falartista por opção.

2 comentários

  1. Cacau says:

    Acho que não sei..
    As vezes me pergunto cores de momentos, mas nunca pensei neles como a cor da alma. Sugestão interessante.
    Fofa, como você.
    Pra mim você há de ser uma cor fofa, alaranjada, provavelmente.
    A Layla me lembra o amarelo de rosas amarelas. - E só aquele amarelo, nenhum outro.

    Há um momento muito muito especial pra mim e sabe?
    Acho que era azul. Claro.
    Como a tua dança...

    Por que será que você dança azul?

  2. Já escrevi um texto sobre cores. Porque as sensações sugerem tanto que seria injusto não poder dar uma tonalidade aos nossos pensamentos.

    Um beijo!