8 de abril de 2009
E por que não calar a pressa, estapear os moldes e golpear as amarras?
Por que insistir que não há tempo pra olhar o essencial, sendo que corremos tanto pra termos tempo suficiente pra sermos enfim, felizes? (Corrida desenfreada até o nada?)
Por que deixar de dançar os ritmos mais doces não importa onde estivermos, ou então deixar de olhar o céu laranja ser engolido pelo azul em noites claras?
É tudo esquecimento? É tudo falta de sensibilidade?
Sensibilidade faz falta.
Uma parada proposital no dia, pra aprender uma lição.
Uma flor arrancada do galho da calçada, murcha e sem perfume, mas recolhida com amor pra entregar ao bem-me-quer.
Uma observação sutil na rua, de uma criança a conhecer o mundo, com aqueles olhinhos pequenos e tão vivos.
Uma corrida até o amor pra dizer uma palavra de carinho, ofegante e suada.
Ou qualquer coisa que é olhada de dentro pra fora. Como as coisas devem ser. Sabe como é?

Talvez, se um dia, eu conseguir apontar o simples às pessoas... O quanto as coisas podem ser grandiosas, experimentadas, mastigadas e esmiuçadas até o fim...O quanto é preciso estar atento a nossos gostos e prazeres, para não fazermos deles lembrança quando estamos cansados: mas sim concentração para atingirmos nossos pontos mais altos. (!)
Ah, então aí sim, aí sim vou dizer: "missão cumprida!" e não, não é exaustivo querer essa missão pra mim. E eu nem sou "demais" por isso. (Ah, vejam só como ela é importante para a humanidade. hahaha, NÃO).

O certo é que todo mundo, e também eu, estamos equivocados com impressões superficiais.
Achamos centenas de coisas e construímos filosofias baratas, abraçamos coisas pra nós que não nos pertencem, e simplesmente dotamos de uma importância descomunal tudo o que aparentemente virá de retorno pra nós mesmos.
Isso parece estranho? E é. . .
É mesmo estranho imaginar que muitas vezes não fazemos questão de mostrar o quanto amamos. O quanto queremos bem nossos amigos. O quanto nossa família é chata e essencial, tudo pra economizar: como se demonstrar pagasse imposto. (isso porque brasileiro é de terceiro mundo, mas é um dos povos mais calorosos que tem).
As vezes, não fazemos questão nem de demonstrar o quanto somos importantes pra nós mesmos: a gente tem saudade até de quem a gente é... E esquecemos de nos dizer! Tolice.
As vezes e, quase frequentemente, cegamos a sensibilidade, pintando de colorido o ridículo. Ou, se for mais conveniente, iluminando o patético.
Há tanto no mundo pra descobrir! Pra ver! Pra conhecer! Pra abraçar! Pra investigar!
E por que, meu Deus, por que esquecemos disso?
Esquecemos de ficar sem fazer nada, falando besteira na calçada e rindo até doer as bochechas... (Como podemos esquecer isso?)
Esquecemos de fazer coisas que queremos, só porque elas parecem bobas, pequenas e adiáveis!
Esquecemos até mesmo de olhar pra quem estamos falando. (e não olhar só com os olhos, simplesmente, obviamente).
Esquecemos de surpreender, de refletir, de largar a fadiga de realizar o "simples-grandioso".
~
Esquecemos, porque somos falíveis.
Esquecemos de dar a vida e nos esforçar incessantemente pela boa obra de fazer a sensibilidade imperar onde ele bem merece: NO TOPO (!)

Cena do filme "Sense and Sensibility" (1996) 

Marina Cruz

É Psicóloga por formação, Educadora por vocação e Falartista por opção.

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