26 de outubro de 2013
cena do filme "Tudo acontece em Elizabethtown" (2005)


Não sei, sinceramente, o que a natureza tinha na cabeça quando criou você.
Você é escandalosamente bonita de chinelo e camiseta larga. Você é absolutamente natural e exclusiva. Seus traços não me lembram ninguém, não dá pra fazer nenhuma referência a você, nenhuminha. Veja só quantos problemas você trouxe pra minha vida, estranho ser humano: se me perguntarem, nunca vou conseguir explicar quem você é, nem comparar recorrendo ao "ela se parece com...", você NÃO SE PARECE COM NADA, dá pra acreditar?
Eu queimo de raiva porque agora fico procurando a dobra dos seus olhos em todos os olhos por aí e nenhum deles me emociona o suficiente.
Você não gosta de pintar boca, nem de colorir os olhos e com essa pomposa simplicidade tão sua, seus traços ficaram definitivamente marcados em mim. Deve ser porque você se basta. As outras pessoas se poluem com tanta informação que não consigo enxergar elas direito. Você se mostra. Se expõe. Se é.
Tem outra coisa que me desconcerta: isso de você sorrir apenas quando acha graça. Você nem faz de propósito - pra parecer durona - seu riso é algo a ser provocado. O problema é que comecei a penar pra conseguir um riso seu, pra mim. E agora acho todo mundo meio plastificado, meio pronto, previsível.

A coisa horrível de ter conhecido você é essa: o resto do mundo todo ficou menos interessante. Um tédio. 



Marina Cruz

É Psicóloga por formação, Educadora por vocação e Falartista por opção.

4 comentários

  1. Fenomenal! Parabéns pelo texto, simples e conciso! E retrata uma experiência que vivo hoje.

  2. Leandro, obrigada pela visita! Seja sempre bem vindo! :)

  3. Gostei do "platificado"....as relações (e os sentimentos) estão muito assim mesmo....muitas lembranças me passaram ao ler seu texto....ficou muito (saiam, lembranças..rs)

    []s

  4. Rafael, obrigada pela visita!
    As vezes a gente lembra pra esquecer... rs
    Abraço!