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CENAS COTIDIANAS

De um lado da rua, um rapaz respira profundamente com os lábios encostados nos ombros de sua namorada, fecha os olhos por alguns instantes e continua a caminhar; ela o olha como se fosse a primeira vez e pisca longamente consentindo o gesto de carinho: eles se sabiam amores mútuos. Ao lado deles passa uma moça sozinha, de óculos escuros, sorrindo sutilmente e andando com passos leves, porém rápidos, quase flutuantes: por certo, havia acabado de sair de um abraço bom... A moça, em sua total distração, esbarra num casal que fala alto, com expressões raivosas: ela olhando para frente, ele olhando para ela. Ela tentando manter as aparências, ele tentando se manter calmo. Ela sonhando com outro alguém. Ele também... Eles estavam muito próximos, porém muito mais distantes do que se é capaz de supor... Do outro lado da rua, um senhor carrega flores, lindas gérberas! Avançando o olhar na direção em que ele caminha, se vê uma senhorinha simpática, aguardando a surpresa... Talvez, não tão surp...

PRELÚDIO DO ANOITECER/ AMANHECER

Para ler ouvindo: Sueno Ancestral by Inkuyo on Grooveshark ANOITECER: Tudo volta ao lugar que lhe pertence: O dia começou com café como os dias merecem. O amigo encontra o abraço com cheiro de nostalgia daquele que o recebe como sempre. A poça d'água continua intacta sem que ninguém a perceba, meses depois da última chuva. O reclamão continua a reclamar, pisando no próprio pé, comendo frutas verdes. O sorriso do senhor volta inteiro (e ainda mais alegre) depois que terem desvanecido os últimos soluços. O amor ressoa carinhoso, porque nele se acha sentido para todas as outras coisas. O imprevisível continua sempre imprevisível, pegando no pulo quem gosta de saber de tudo. Os corredores dos lugares queridos, continuam com o cheiro que apetece. A rotina é sempre diversa, posta como nunca aparente. Assim gosta de existir. E a alma? Continua se esvaindo entre eternas ternuras, Encantada com a volta pra casa, Olhando para a lua pendurada no céu, Quando ainda é d...

SNOOPY

- No que está pensando? - Estou pensando em casamento... - Por que? Pretende virar florista, fotógrafa, cerimonialista? - Não... Cantora. - Cantora de casamentos? - Não... Mas pessoas vão se conhecer enquanto eu estiver cantando:  " I can't see the sunshine,  I'll be waiting for you baby..." e  vão se casar, por minha causa. - Eu acredito que sim. Sabe, o Snoopy uma vez disse ao Woodstock que ele era muito importante... Porque quando ele canta nas manhãs de primavera, as pessoas ficam muito felizes...E ele (Woodstock) é tão pequenininho... - Hmm... Até esse cachorro orelhudo tem alguém pra dar risada das estações do ano... - Sim... E pra se sacodir nas folhas do outono. Música:  You Only Live Once - The Strokes (Don't don't) Don't get up. I can't see the sunshine. I'll be waiting for you baby, 'Cause I'm through. Sit me down. Shut me up. I'll calm down and I'll get along with you. ...

{sobre ganhar o mundo e devaneios matinais...}

Fatos incomuns me ocorrem de vez em sempre: Hoje mesmo, mal pude compreeender... Acordei, levantei da cama num rompante e, não pude deixar de sonhar. Fui tomada de pequenas sensações tão reais... E ao invés de estranhar os devaneios matinais, optei por apaixonar-me por eles. Vislumbrei a vida por um instante. Lembrei-me das conversas com uma amiga: "Alvares de Azevedo aos vinte já tinha escrito Noites na Taverna! E eu, o que fiz?". Sorri. Ânsia engraçada esta de querer se apropriar do mundo todo. Ânsia engraçada esta de reconhecer que na vida não cabem estreitezas... Então, notei: O que fiz é o que sou a cada dia. As pessoas que me são caras, os momentos que amanhã serão memórias, a batalha diária que alimenta os sonhos, as palavras que podem mudar um dia, uma vida... Os sorrisos, as pequenas simplicidades, as surpresas... Até mesmo os problemas e os defeitos são o que fiz, não são? A vida é rara, uma só e exatamente como tem de ser: diariamente especial. Vou ...

a palavra

Temo ser invadida pela minha própria palavra. Consumida, fraca, mergulhada numa surdez atenciosa, E num encantamento qualquer. Não diria que me assustam as minhas letras, Porque certamente depois de tantos repentes, Tantas palpitações e pulos de afastamento, Eu tomaria jeito e as faria parar. Diria que as letras, pois bem, me surpreendem. Surpreendem porque me conhecem e, Ignoram minhas teimosias, revelando a mim quem sou. E enquanto meus cadernos tomam conta do quarto, Enquanto meus tinteiros secam, Enquanto perco papéis debaixo da cama, Enquanto a luz da vela permanece acesa -iluminando o cômodo, construindo sombras- Pajeando o trabalho das mãos cansadas sobre o papel, O meu coração cheio de letras em estado de fervura, Esperando pra nascer, Alivia. As palavras que me têm por completo e, Não o inverso. Relação de temor e paixão. Esconderijo e exibições. Sonho e desejo. Se as palavras precisam de mim pra nascer, Eu, recolhida na condição de travessia, C...

FEITO EU

Para ler ouvindo: Infinito particular by Marisa Monte on Grooveshark Sou feita das risadas que já dei dos choros que já silenciei e de outros tantos que escorreram ácidos... Sou feita das calçadas que já pisei dos abraços que sem querer guardei e daqueles que já dispensei, ora essa. Sou feita das piadas que inventei das coisas sérias que ignorei e que de manhã corri atrás, pra alcançar. [há sempre um momento bom, há de se acreditar...] Sou feita das cartas que rasguei das pétalas que enterrei e de naturezas minhas, andantes, cansantes. Sou feita dos acasos que, violenta, calei de casos que transbordei e inquietações várias, calmarias, meninices. Sou feita dos clichês que aceitei das evidências que suportei e da intuição que quis sempre reinante. [errante, flutuante até!...] Sou feita da liberdade que busquei da fé que lapidei da transformação que acreditei e de atmosferas tantas que me são caras. Sou feita das lapidações que ...

lar

Eu que já não quero mais calar, grito suave pra fazer ouvir os corações. O grito suave, que quero muito meu, Aos poucos gera vida, cultiva e renasce quantas vezes for necessário, Uma delicadeza alicerçada nas causas... Um grito silencioso, passaroso e calmo. Eu que já não quero mais só ver a banda passar, Canto sem paredes que se façam de muralha. O som expande... Ganha força e chega onde deve chegar. (!) Canto baixinho, porque é assim que sou. É assim que quero que seja. Eu que já não sou capaz de ignorar quem sou, Vou com coragem um tanto mais fundo, até onde der de mim mesma. Os mais cuidadosos já avisam de antemão: "cuidado... Isso pode ser perigoso!" E o que não o é? Se feliz é quem desconhece, Que me desculpem os adeptos, Mas conhecer é maravilhoso... Eu que já não quero mais ver a vida acontecer Sem a chance impetuosa de criar, fazer, chorar, vencer, Não quero mais a ansiedade do não-saber. Entendo o quão "minhas...