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DI-DIÁLOGO

Viveu dias em que todas as realidades foram aumentadas, em que cada olhar pareceu um abraço, em que algumas vozes gritantes estavam mudas [e mereciam estar]. Viveu dias em que agradeceu por estar confusa, sem saber o que seria dela se tivesse uma única história para viver. [o perigo de possuir apenas uma história as vezes vem à tona como uma verdade difícil de digerir]. Viveu dias em que se surpreendeu com a falta de noção das pessoas ao seu redor e, viveu outros em que se surpreendeu por estar surpresa. [a falta de noção é corriqueira] - Deveria se surpreender na verdade, é com a coerência humana. [se é que há]. Viveu dias intensos [e exclamou sozinha: ainda bem!] Viveu conversas sobre laços... Sobre vínculos... Sobre afetos. Ao adormecer, percebeu que viveu "bons encontros". [e esta expressão a acompanhou por semanas] Viveu dias ácidos, em que as pessoas desconhecidas lhe pareciam mais amigas que as de longa data. [identificação inesquecível, efêmera e intensa] ...

samba da madrugada

Vou fazer um samba pra contar, a dor da madrugada que sem fim, entra adentro do meu peito e faz chorar as histórias repartidas sobre mim. É a dona madrugada, que traz fome de viver, traz jeitos de entender, traz tudo o que organiza e, o que atrapalha pra valer. (!) Ai, madrugada... Ai, madrugada... Leva longe essa saudade, dos encontros puros de paixão... Dessas almas grandiosas, de vida e de doação . Pra que bagunçar um coração? Pra dar mais emoção? Pra pulsar na multidão? Pra sambar sem restrição? ... Ou só pra sonhar um sonho bom? Madrugada é flor de lis. Suas cenas, inquietações, vontades, birutices e chateações... ... Só me trazem, na verdade: - é cheiro de vontade de ser feliz. ~~~~~~~ "Flor de lis, não vai dizer..."

FRESCOR

Ai, a vida me chamou... Pediu licença pra tantos mais. Mais pitangas, mais mar. Mais eu, mais aqueles que são de mim. Mais poiesis , mais cheiros. Menos tudo que não me faz mais eco. Ecoou, ecoou... Virou lembrar. A vida me deu fome. A vida me deu vontade. A vida me chamou. Quem sou eu pra não seguir...

surpresa de Lily

"H., Eu não sou um exemplo de destreza, mas para isso há que se ter coragem: não evitar, nem ter medo, das fortes emoções e, você há de concordar: desse mal não padeço. O sentimento de continuidade, que para a maior parte das pessoas se dá na mais serena das possibilidades, para mim acontece na mais inquieta das surpresas: as emoções puras, como vêem ao mundo, cruas e nuas. [...] Continuar para mim não corresponde a dizer: "hoje está como ontem", mas digo: "Hoje há outra chance de me surpreender..." Senão a continuidade não vem. Tudo é macro, tudo é vida, seja a mais exuberante alegria ou, a mais desoladora tristeza. Mas você me disse naquela quinta e de tão forte, eu decorei: "Ah, menina das intensidades... A vida não é só explosão. Há que se aquietar um dia... Porque te digo: o sorriso vai embora, a lágrima também, mas você fica. E você se faz companhia para todo sempre... O que há em você que te suporta? O que há em você que te basta?". Ai, s...

fragmentos de uma única pergunta

O que eu me pergunto sabe, é se ele tem ideia de que tem pra si, a pessoa mais doce e colorida do mundo, se sabe valorizar suas inquietações e reconhecer sua alma, o mais profundo dela. E no entanto... Eu também me pergunto se ele tem a menina que eu tive. Eu me pergunto por um momento, se a moça por quem eu me apaixonei (no sentido factível da coisa), existe pra ele como existiu para mim. Se a hoje mulher se tornou mais rígida, ou se a menina se tornou ainda mais suave do que no auge de sua meninice. Se o cheiro continua adorável e floral, ou se ele deu lugar a um perfume chamativo... E se os olhos continuam brilhando, ou se tornaram-se ofuscados por uma maquilagem qualquer. Me pergunto: será que tem nas palavras a mesma paixão liberta, inspirada por sua vida emocional aflorada ou, se na liberdade infinita das palavras escreve sobre paixões ilusórias, aprisionada por uma realidade estreita... Eu me pergunto tanta coisa, imaginando se sei quem ela é ai...

INSIGHT

O Operário Em Construção - Vinicius de Moraes Era ele que erguia casas Onde antes só havia chão. Como um pássaro sem asas Ele subia com as casas Que lhe brotavam da mão. Mas tudo desconhecia De sua grande missão: Não sabia, por exemplo Que a casa de um homem é um templo Um templo sem religião Como tampouco sabia Que a casa que ele fazia Sendo a sua liberdade Era a sua escravidão. De fato, como podia Um operário em construção Compreender por que um tijolo Valia mais do que um pão? Tijolos ele empilhava Com pá, cimento e esquadria Quanto ao pão, ele o comia... Mas fosse comer tijolo! E assim o operário ia Com suor e com cimento Erguendo uma casa aqui Adiante um apartamento Além uma igreja, à frente Um quartel e uma prisão: Prisão de que sofreria Não fosse, eventualmente Um operário em construção. Mas ele desconhecia Esse fato extraordinário: Que o operário faz a coisa E a coisa faz o operário. De forma que, certo dia À mesa, ao cortar o pão O oper...

FOI ENTÃO QUE ENTENDEU

Foi então que entendeu: Ver suas covas e arrancar-lhe um sorriso, daqueles sinceros e difíceis de conseguir, era uma meta. Como era importante aquele sorriso, céus! Não que fosse um esforço colher os sorrisos dela, mas fazê-la sorrir era mais especial do que quando qualquer outra pessoa sorria. Era diferente, parece que as coisas com ela aconteciam em outros tempos, que não os da realidade, sabe? Os trejeitos dela percorriam o dia todo sua memória, repetindo as cenas, mais uma vez e, outra e outra. E cada vez a memória vinha viva, quente, como se tivesse acabado de acontecer. Quando é bom é assim: a gente lembra pro sentimento retornar E Ele Retorna . Foi então que entendeu: A coisa era forte. E recíproca. Os dias passaram a ser mais cheios de cor. Eram tão diferentes e em suas disparidades completavam-se. Eram a doçura e a segurança em uníssono. Tudo parecia acontecer para servir de cenário para seus momentos: se chovia, era para que pudessem dançar na rua, se fazia s...