28 de junho de 2008
E eu que sombra era,
Fugidia entre espaços,
Anulei por segundos minha força
pra encontrar a tua.
Eu que era piso vacilante,
Me faço e refaço em piso firme
que mesmo assim rege dança
em calçadas largas de grama.
E eu, que era verbo imperativo?
Me permito ser canção,
Ser prosa poética, flexível
Ser rima rara, da manhã.
Eu era, era lago...
Já desaguo em Oceano
Faço sons de ondas leves
Carinho para a areia.
Fui, leite derramado - e -
não chorei. }
.






-
Da primeira vez, era cuidado.
Da segunda vez, a emoção.
Na terceira, meu bem, encanto puro.
E na quarta vez, um adeus sem explicação.


-
Não sou indecifrável,
Descobri quando você chegou
e olhou a alma, com licença.
Falava o que eu pensava,
me esperava dizer,
quando era o que você diria,
nomesmosegundo.
Atirou uma pedra na janela,
E não ficou lá embaixo
A esperar pelas tranças.
Subiu e disse, meio sem jeito,
Oi.
Acho que as coisas fazem sentido...


-

Hoje eu vi pombos tirando a sorte em realejos e crianças comendo migalhas de pão.
Foi na pracinha da infância, que eu andava de bicicleta e comprava amendoins para mamãe.
A sorte dos pombos mudou todo o cenário fantasioso que construí por anos a fio, a sorte queria dono acessível, dono presente. Aquelas crianças não lidavam com a realidade...
Por alguns minutos pensei em tirar tudo do avesso, modificar o que era tão evidentemente constrastante e quem sabe então cirandar com a alegria de um domingo em família. Talvez pudesse parar de pensar e agir ao meu alcance.

Chamei o maiorzinho:
- Menino!

E lhe entreguei uma sorte colorida. Daquelas que se assopram no ouvido e que não fazem sentido no começo, mas que podem impulsionar para um novo dia mais vital. Parece minúsculo, mas um dia já fui quem a recebeu...
Espero que amanhã ele espalhe sorte para seus pequenos e que as pombas, bem, as pombas se coloquem a comer migalhas de pão.


-

Marina Cruz

É Psicóloga por formação, Educadora por vocação e Falartista por opção.

1 comentários

  1. Hey, adorei todos. O último terminou d'um jeitinho tão lindo!
    Adorei todos os versinhos...
    O penúltimo tem um toque tão delicado com os "oi" e "com licença"