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Consciência de águia

Aí o frio invade; com todo respeito - o vento. O ruído na janela, que quer entrar no meu aconchego particular, tem voz dispersa e parece bradar . } Os antigos passos mudos das reticências escritas nas minhas tortas linhas: tagarelam exclamações. (!) Gostei de me esquecer, pra viver outras de mim, só enquanto o barulho do vento não silenciava lá fora. Depois conheci exatamente as minhas asas. Eu pude ser tufão, ser tempestade, até a brisa suave me carregar pra dentro de si, misturando aos seus movimentos, a minha alma. Agora já não sei onde começo e onde ela termina. Fizemos um acordo para a calmaria e impulso conviverem bem, e juntos. Descobri que viver é minha maior responsabilidade, e ser carregada pela brisa cada vez mais alto... Com os pés longe do solo, é minha vontade realizável. Meu alto não é mensurável, tampouco inventado. Ter Consciência de Águia, voar. - [Moça, olha só o que eu te escrevi: "É preciso força pra sonhar e perceber que a est...

Matizes

Eu acho que a gente tem alma violeta. Já tive vontade antes de ver a cor das coisas que não se vê, ver a cor do que paira em cima dos que estão se casando, ver a cor da alma de uma criança abraçadinha na mãe, ou então a cor do que fica em volta das famílias numerosas, comendo lasanha no domingo. Eu acho que nossa alma é violeta. Quando a gente acorda de manhã bem cedo, estica as pernas e faz careta, aí é colorida, só pode ser. E quando a gente segue de mãos dadas por ladeiras, ou durante carinho nos meus cabelos e susto da surpresa boa, deve ser meio vermelha. Nossa alma deve ter gradações das matizes mais bonitas, posso apostar. E há quem ache idéia de maluco, mas vai chegar um dia, em algum momento dos surreais que a vida dá de presente, que vai se perguntar carinhosamente, qual devia ser a cor daquele momento. E eu queria estar perto só pra dizer: "Maluquice te fez bem hein..." e sorrir como pra quem tem um segredo bem guardado. Não é tudo que merece uma co...

mantra do vôo sublime

Nada mais que faça relutar. ~ V oar por aí afora, descobrir aurora, fantasiar asas minguantes. (Asa cadente, voar na asa macia!) V o a r a í a f o r a - Calar escuro, mastigar manhã, morrer no colo e sobreviver. Voar por aí, afora, numa aura hora, pintar esquadros, de tinta e olhar pro meu lar, sabiá. Voar por aí afora, sim afora, e a qualquer hora deitar na grama, respirar fubá, tocar madeira molhada de orvalho e de luz. Depois da aurora, e do vôo afora, deixar os raios entrarem pela nossa janela, tocando o café e os pés (quentinhos da noite de inverno) E voar por aí (afora!). E se nada fizer sentido, só, ser um, só, na mesma direção basta. Voar por aí, afora. Na nossa aurora, a qualquer hora . . . { oras. } Voar.
{Nota minha nota que é pra te notar, Canta teu encanto que é pra me encantar} ;

sempredessemomento

E ela pediu sussurando: "Que eu me lembre sempre desse momento, que eu me lembre sempre desse momento..." Ela queria um momento. Um momento de liberdade intocável, de longas prosas não-piedosas e maçantes, mas aconchegantes como uma almofada ao que tem sono. E que se houvessem dias de não poder se olhar ao espelho, ou então ser afogada por pequenas irritações discrepantes, que ela os mandasse para o espaço! (delicadeza). Estava decidida a viver causando sensações (seja lá quais forem) e pisar não como quem passa, mas como quem marca. Então se calou e procurou no fundo o que a consumia de forma positiva... Suas boas lembranças as encontraram de um jeito avassalador, do jeito como gosta. Ligou para sua melhor-amiga de infância, quem não via por bons 6 anos e alguns meses devido à desculpa de "falta de tempo/trabalho demais..." e disse que sobretudo, sentia saudades de quando passavam tardes apontando lápis-de-cor. Foi até a casa de uma tia velhinha que sempre foi muit...

hipocris (chéri) ia

Eu tô vendo gente falando muito e sentindo pouco, eu tô vendo palavras que escapam tortamente perdendo significações. Eu tô vendo, despudoradamente, o doce amargo dos dizeres superficiais... E é tanta palavra bonita, é tanta pompa, tanta emoção que primeiro mostra pra depois ser. Ou nem ser. Eu vejo, manobras calculáveis de jogos de palavras... Que convencem, que desviam, que mascaram uma realidade que ora dói, ora gera desumanidade que enfim, é dor também. Parabéns, você conseguiu de novo arrumar desculpa esfarrapada pra uma realidade que te assusta. Se sente melhor agora? Ai que esforço exagerado para evitar esforços maiores, quando sentir cada coisa como é, nua e crua é mais simples e correto. (Quem pode falar a palavra 'correto' com propriedade, enfim?) Como se a vida tivesse que ser um eterno mar de rosas, cheiroso e... cheio de tubarões lá no fundo. NINGUÉM quer ver os tubarões! Eles estão ali! Tubarões... O que tem eles? Vamos ignorá-los! São apenas tubarões... I...

c a n t o

E se eu sou acalanto, eu fico. Se os olhos marejam, eu sou. Se os braços envolvem, realizo. Se as cores têm mais cor, nós somos um acalanto que mareja e é. Vou buscar a serena aurora pra guardar numa caixa com furinhos. Talvez seja maldade, mas abrir e olhar a qualquer hora do dia aquele momento que suas mãos encontraram a minha (mesmo que você tenha feito cara de movimento involuntário), seria demais pra mim. Demais no sentido de bom. Mas não vou deixar na estante, empoeirando. Vou colocar num pilar creme com relevos na entrada da casa. Ah, essa casa que guarda tanto de você. Nos azulejos, nos quadros, nas janelas... E também nas gavetas e cantinhos. Vai combinar com a decoração, pode apostar. Aí eu paro e penso: { Será que você tem a sorte de sempre estar nos momentos marcantes... Ou os momentos marcantes só o são por causa de você? } Segunda opção com luzes piscantes e setas de Drive-Thru. Meu acalanto é no teu canto, tua voz, teu encanto... (!) Seu encanto cá no canto da sala-de-es...