Pular para o conteúdo principal

Postagens

lar

Eu que já não quero mais calar, grito suave pra fazer ouvir os corações. O grito suave, que quero muito meu, Aos poucos gera vida, cultiva e renasce quantas vezes for necessário, Uma delicadeza alicerçada nas causas... Um grito silencioso, passaroso e calmo. Eu que já não quero mais só ver a banda passar, Canto sem paredes que se façam de muralha. O som expande... Ganha força e chega onde deve chegar. (!) Canto baixinho, porque é assim que sou. É assim que quero que seja. Eu que já não sou capaz de ignorar quem sou, Vou com coragem um tanto mais fundo, até onde der de mim mesma. Os mais cuidadosos já avisam de antemão: "cuidado... Isso pode ser perigoso!" E o que não o é? Se feliz é quem desconhece, Que me desculpem os adeptos, Mas conhecer é maravilhoso... Eu que já não quero mais ver a vida acontecer Sem a chance impetuosa de criar, fazer, chorar, vencer, Não quero mais a ansiedade do não-saber. Entendo o quão "minhas...

POR UM TRIZ

"Que a lente do amor aumente Faça em presença o que é ausente Porque só se vive por um triz Só o amor pode juntar O que o desejo separou Não poderia o ontem se Vestir de amanhã (?) Porque só se vive por um triz . . . " Se só se vive por um triz, que sem reservas, cuidemos de cada pedaço de amor que espalhamos por aí - de cada um que cativamos e daqueles que de propósito nos cativaram - para que quando o "triz" chegar, ainda haja um rastro de sorriso pra tudo o que há de bom viver intato. Eu, confesso que, o riso pra mim é a medida. Quando há qualquer jeito de sorrir, de brincar e brindar... Então as coisas permanecem do jeito que deviam ser - e que muito me agradam. Ah, como os sorrisos me são caros e me apetecem! O riso me escapa pelos cantos... E quando me cerram, tornando-o amarelo e ensaiado, então dá vontade de fugir. Adoro a liberdade ingênua das brincadeiras e dos sorrisos... De um jeito ou de outro, sinto que as pessoas que me deixam sorrir e q...

pequena humana

Conheci uma menina pequena, que acostumada a viver de frente com contradições, posta numa felicidade insuportável, não conseguiu ir pra frente nem pra trás. A felicidade pra ela pareceu algo a que realmente temer. E ela se viu, pela primeira vez na vida, humanamente frágil e estranhamente feliz. Por vezes, relutou... Por outras tantas achou tudo irreal. "E quando tudo acabar?" - Ela repetia pra mim incansavelmente. Então eu dizia: "Mas porquê, porquê tudo tem que acabar?" Balbuciando, ela dizia: "É tudo muito inconstante..." ---------- "Pequena, quando tudo acabar... Vai restar você e, tudo o que quiser te acompanhar".

saga de uma flor urbana

Ele carregava a rosa cor-de-rosa, envolta por plástico e papel de seda com uma das mãos, enquanto a outra segurava o apoio do ônibus lotado. Era uma rosa já aberta, com cara de que queria ser entregue logo ao seu destino. O dono da rosa mais protegida da cidade, pois bem, tinha olhos de ansiedade, pouco piscava e nem parecia estar no centro da cidade de São Paulo. Via-se que a mão da rosa já suava, mas não parecia incomodar. Dali a alguns minutos a própria rosa iria começar a murchar, murchar... Ou não, quem sabe. Aposto que a outra mão -agora livre- após ele ter conseguido o almejado lugar para sentar-se, estava à espera de afagar os cabelos da moça, logo após a sutil encomenda. Uma saga na cidade, num dia de semana, com tantos coadjuvantes a trabalhar... Não sei por quais motivos, mas ele se dirigiu até uma floricultura sim, do outro lado da cidade, apenas para comprar uma rosa cor-de-rosa. Não existem floriculturas mais próximas ou havia um significado? Relevâncias à parte, a ...

Devagar, menina

Quanto me custa perceber Que nem todos meus versos são expostos Que nem todos meus afazeres saem do papel Que nem todos os meus planos, acontecem. As vezes o tempo escorre, A fala encurta, O gesto empobrece. E minhas expectativas, comigo, por vezes, são meras. Um movimento previsível, mas mesmo assim estranho e, exigente demais pra mim. É bonito quando a vida me dá uns tapas, E mostra o que é meu. Essencial e induscutível. Me dá saudade de mim. Me fala: "Devagar, menina..." Me alisa os cabelos e, revela Que eu consigo assim. Não de outro jeito, de outros e de outrem. Do meu jeitinho, de menina, de mulher, devagar. "Quem tem por que viver pode suportar quase qualquer como." - N. --------

apelo de herói

Não acabem com os heróis. Não deixem os heróis se revoltarem, odiarem. Não criem heróis prepotentes, abusadores. Os heróis devem voar. Os heróis podem criar seus próprios pecados, e suas virtudes para combater. E que seja a luta com seus próprios "eus"- a mais importante da guerra. Mas os heróis não podem relutar diante da verdade. Os heróis não devem ser injustos. Devem se preocupar com o mundo, E não somente, com seu super-umbigo. Como é teu herói? Tem capa e espada? Flechas e armadura? Tem amigos, amores...família? E se angustiam por ter de escolher, entre sua própria paz e da do mundo? Os dilemas dos heróis são os mais deliciosos. São altos, elevados. Não terminam na primeira esquina. Os heróis precisam existir. Não podem ter jeito de gente, vida de gente. Crise de, gente. Até toda a fantasia acabar... Sucumbir... Fraquejar... Suspirar diante da maldade, Implorar por uma migalha de vida (!) Não implorem por vida, heróis. Deixem os heróis s...

adendo

Só um adendo: Tem olhado pra lua esses dias? Ela não estava amarela e grande como de outros dias de calçada, noites quentes, e corridas na rua "só pra falar a última coisa". Mas estava linda! Quis reparar bem de propósito, pra ver se enxergava algo diferente, sabe? Tinha que ter algo de diferente. E voir que la magie : haviam estrelas bem pequeninhas em torno, cuidando da lua clara. Essas estrelas viu, cuidando da lua! Veja só! Muito perspicazes... É tão bom se sentir cuidado... Cuidado das estrelas: que vêem as fases da lua, (mutáveis e lindas) e continuam sempre postas. Essas estrelas... Muito perspicazes! (risos) Aí eu entrei dentro de casa e a luz não tinha ido embora. Não vou pedir pra apagar a luz dos teus olhos, mas preciso dormir! Acordo cedo, sabe? Luz perspicaz...