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c o n t r a d i ç ã o

Então, quando me dá cinco minutos E eu quero tratar de mand ar Estabeleço certas coisas: Mando a palavra rim ar , e abusada, defronta cara-a-cara. Mando a poesia cal ar . Ela cutuca até se fazer pronta e falante, a tagarel ar ... Mando então, com esperanças A cor mais viva, se apag ar . Ela vem, arco-íris terra, céu, fogo e m ar . Aí, só pra ser chata, desisti de tentar mand ar . Pra dar liberdade pra tudo isso, E sem querer, eu rim ei . (susto)
E eu que sombra era, Fugidia entre espaços, Anulei por segundos minha força pra encontrar a tua. Eu que era piso vacilante, Me faço e refaço em piso firme que mesmo assim rege dança em calçadas largas de grama. E eu, que era verbo imperativo? Me permito ser canção, Ser prosa poética, flexível Ser rima rara, da manhã. Eu era, era lago... Já desaguo em Oceano Faço sons de ondas leves Carinho para a areia. Fui, leite derramado - e - não chorei. } . - Da primeira vez, era cuidado. Da segunda vez, a emoção. Na terceira, meu bem, encanto puro. E na quarta vez, um adeus sem explicação. - Não sou indecifrável, Descobri quando você chegou e olhou a alma, com licença. Falava o que eu pensava, me esperava dizer, quando era o que você diria, nomesmosegundo. Atirou uma pedra na janela, E não ficou lá embaixo A esperar pelas tranças. Subiu e disse, meio sem jeito, Oi. Acho que as coisas fazem sentido... - Hoje eu vi pombos tirando a sorte em realejos e crianças comendo migalhas de pão. Foi na pracin...

i n s p i r a r

Encontrar a inspiração. . . Alguém me cutucou de forma equilibrada, Me fez repensar meus conceitos de coragem Meus porquês das dificuldades De apertar o botão “publicar” - da vida. Admitir ser, se permitir escrever, escrever livremente. Agora é lema. Encontrar a inspiração, Quando se mostra querendo brincar: Se esconder por entre balaústres Chamar com voz fina, distante E como num lapso, silenciar despudoradamente. Procurar às vezes cansa. Encontrar uma simples inspiração Raios, onde está? Aqui dentro, lá fora, onde? Buscar desculpas para não achar... Pedir desculpas por saber que está aqui. Qualquer ruído, qualquer som Se torna motivo para desconcentrar - Como se aquela naturalidade ganhasse cores opacas. Encontrar inspiração, Quando se acostuma a mascarar melancolias Transpondo versos para o papel. Surpresa, a vida sem melancolia não tem arte? Ah, tem. Tem, tem, tem. Arte leve . . . Arte sutil . . . Arte doce e sincera. É preciso se desligar de costumes, E mandar buscar sua arte. ...

à p a u l i s t a n a

" São Paulo! Comoção de minha vida… Os meus amores são flores feitas de original…Arlequinal! Traje de losangos… Cinza e ouro. Luz e bruma… Forno e inverno morno. Elegâncias sutis sem escândalos, sem ciúmes. Perfumes de Paris… Arys! Bofetadas líricas no Trianon… Algodoal! São Paulo! Comoção de minha vida, Galicismo a berrar nos desertos da América"} - De Andrade, Mario. "É que quando eu cheguei por aqui eu nada entendi Da dura poesia concreta de tuas esquinas Da deselegância discreta de tuas meninas [...] Do povo oprimido nas filas, nas vilas, favelas Da força da grana que ergue e destrói coisas belas Da feia fumaça que sobe apagando as estrelas Eu vejo surgir teus poetas de campos e espaços Tuas oficinas de florestas, teus deuses da chuva..."} - Veloso, Caetano. . O Centro Velho de São Paulo. Noite. Quantas vezes passei por lá e achei tudo aquilo, tão cinza, tão apressado, tão angustiante e feio. (Bate na boca). Mas é surreal: como pode o dia barrar certas impress...
As vezes eles se irritam. Quem vê de fora, tem a impressão de que existe um fio imaginário entre os dois, e que propositalmente, querem estourar esse fio caminhando cada um pra um lado, repulsando seus campos magnéticos para quanto mais distante, melhor. Então surpresa! Fio elástico. Querem repulsa, ganham atração. Chega de escrever fisicamente. Ele só quer correr o dia todo atrás de algo que não sabe o nome, ficar cansado, suar absurdos, chegar em casa e ouvir ela cantando She, do Elvis Costello, no chuveiro, belamente desafinada, sem vergonha de que alguém lhe diga que está totalmente fora do ritmo: "She... May be the face I can't forget. A trace of pleasure or regret May be my treasure or the price I have to pay..." E então, depois de recuperar a frequencia cardíaca ideal e dizer que ela está linda, a levar pra um lugar atípico e marcante. Pode ser comer jabuticabas direto do pé, ou andar de kart numa pista velha. O lugar é o que menos importa, desde que consigam briga...

t o d o d i a

Eles nunca se falaram. Um casal de velhinhos que transpira jovialidade escondida atrás das rugas e do grisalho, pega ônibus comigo todos os dias. Sentam sempre no mesmo banco e me falam o mesmo 'bom dia' cordial com tons e volumes iguais, soando querer um pouco de atenção. O ônibus azul boreal, sereno-paraíso da paulicéia desvairada. Ele está sentado, num silêncio mortal, com o olhar vago, estático... Não vê prédios, não vê Sóis, a sós, nós desatados, nós todos ali dentro, ninguém. Quando ela entra no ônibus, o olhar desperta, ele se levanta para ela passar e se apossar do lugar que ele guardou como um tesouro. Que tesouro. Ela sorri gentilmente. Trocam olhares durante a viagem e posso a postar que querem dizer: "Hoje temos trânsito. Que bom." ... Quando o estado de vigília se torna pesado e o sono toma conta do pescoço e se alastra pelo corpo todo, ele encosta, meio sem querer, a cabeça no ombro direito dela, sente seu perfume de boneca de porcelana antiga. Sem graç...

p i e g u i c e

{Luz baixa, música lenta, ambiente familiar, cheiro de vontade de ser feliz. bem piegas.} Se for pra dançar apenas com movimentos mecânicos, Da forma como todos se acostumaram: Me observo sendo atraída pelo estático. Houve um tempo de balanço, ritmia natural Tudo parecia conspirar... A música podia nos levar pelas luzes da cidade Quem passava, via feixes de nós passeando por calçadas, Seguindo a melodia da cidade dos nossos ouvidos, {que além de ser a mesma} Era diferente das buzinas ofegantes, dos carros apressados, das pessoas-trânsito, das motocicletas costurantes. ufa. Nos faróis, nas noites de chuva pouca, As pernas não pediam sutilmente para que eu parasse. Porque havia algo mais forte que pedia: Continue dançando, dançando, dançando... Ainda é você. O pretérito é perfeito, presente e constante. Prego o original: surpreenda-me se for capaz, Eu sei que você pode, sem que eu precise pedir. Não te cubro de expectativas idealizadas, não. Só sei perceber os teus confusos sinais de pie...