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lá na origem

Quando nasci um anjo engraçado desses que mostram a língua e piscam com um olho só, proclamou: vai administrar vulcões. Coisa que não dá muito pra planejar, porque erupções não avisam quando chegam. Vou bem no ofício, suspeito apesar da pressão de cuidar de coisa perigosa assim. Pelo menos meus vulcões são próprios, nunca alugados, e entre uma lava e outra, acho graça do calor. A mulher por dentro da pele já viu muito e ainda se comove. Ora sim, ora sempre desacelera para contemplar. Lá na origem, a narrativa. Que na ancestralidade, dava cor ao cotidiano onde, se muito faltava - a palavra sobrava. O sangue foi vindo, a força também, porque entre mulheres ela não se dilui. Amplifica, desde minha mil avó.

Corruíra

Para ler ouvindo: Pássaro Proibido by Caetano Veloso on Grooveshark Sei quase nada de passarinhos.  Eles sabem quase nada de mim também.  Somos um para o outro, puro mistério, doce dúvida, mútua surpresa... Ainda assim, sinto-os tão perto. Ouço-os tão fundo. Amo-os tão largo! Toda manhã quando a corruíra canta, é como se reinasse absoluto sentido, depois da longa e impetuosa atmosfera onírica. É como se o meu espírito tivesse som e minha alma, asas.  Nesse prelúdio da Revolução, a corruíra canta a liberdade, celebra a convivência, veste-se de simplicidade... Existe. Pura e grandemente. Onde moram as corruíras? O que elas fazem pra sobreviver? O que as corruíras querem comprar? ... Elas não sabem não, mas me ensinam cada vez mais a perguntar menos. Acho graça nisso. Gosto de pensar que nem toda tecnologia do mundo, nem a máquina mais inteligente, é capaz de criar uma corruíra. Me conforta e esquenta o coração. Gosto de pensar que as corruíras ...

Incontáveis problemas que você me causou

cena do filme "Tudo acontece em Elizabethtown" (2005) Não sei, sinceramente, o que a natureza tinha na cabeça quando criou você. Você é escandalosamente bonita de chinelo e camiseta larga. Você é absolutamente natural e exclusiva. Seus traços não me lembram ninguém, não dá pra fazer nenhuma referência a você, nenhuminha. Veja só quantos problemas você trouxe pra minha vida, estranho ser humano: se me perguntarem, nunca vou conseguir explicar quem você é, nem comparar recorrendo ao "ela se parece com...", você NÃO SE PARECE COM NADA, dá pra acreditar? Eu queimo de raiva porque agora fico procurando a dobra dos seus olhos em todos os olhos por aí e nenhum deles me emociona o suficiente. Você não gosta de pintar boca, nem de colorir os olhos e com essa pomposa simplicidade tão sua, seus traços ficaram definitivamente marcados em mim. Deve ser porque você se basta. As outras pessoas se poluem com tanta informação que não consigo enxergar elas direito. Você se...

5 músicas baseadas em livros

Muitos intérpretes e compositores se inspiram em obras literárias para fazer suas músicas. Aqui compartilho cinco (das minhas preferidas) canções baseadas em livros. Escolhi  estas por gostar muito das obras e/ou das bandas. Espero que gostem! 5. Lord of the Rings - BLIND GUARDIAN Esta música da banda alemã BLIND GUARDIAN foi baseada no livro "O Senhor dos Anéis" (pt) escrito pelo escritor, professor e filólogo britânico J. R. R. Tolkien. Esta é a obra da minha vida e essa canção marcou minha adolescência... Memória afetiva total! Cada vez que ouço recordo das batalhas, da narrativa, enfim... Épico. VIVA LOTR! Album: Tales From the Twilight World (1990) Obra: Lord of the Rings (J. R. R. Tolkien, 1954) 4. Sobre as folhas (Ou O Barão nas árvores) - CORDEL DO FOGO ENCANTADO A banda pernambucana se inspirou na história de Cosme Chuvasco de Rondó - o filho primogênito do barão de Rondó que, em 15 de junho de 1767 revolta-se contra seus pais e sobe às árvore...

na estrada

No carro,  voltando pra casa, em boa companhia.  Cansados,  em silêncio,  entardecer.  Engraçado. O silêncio pode ser íntimo ou forasteiro, confortável ou perturbador. Não é bom ou ruim por natureza... Ali na estrada, chão após chão, horizonte e cheiro de asfalto, o silêncio nos permitiu conversas reais e intensas. Intimidade e conforto em sua forma mais presente, contemplativa. {  estávamos emudecidos por fora, verbo vivo por dentro  } Olhávamos para os contornos das árvores secas de inverno, que pregadas nos vales verdes, encostavam-se na Rodovia. Reparávamos em todas as cores que o céu desenhava: espetáculo que impressiona com seus roxos, azuis, alaranjados e mais, mais, mais... {  estávamos emudecidos pelos colos, abraços, carinhos e risos  } De vez em quando alguém dizia: "Que lindo isso" e nesse consentimento, não sei se passamos minutos ou horas, mas tanto faz. Naquele cenário tão cotidiano, vo...

Fado e Vela

Num sobressalto, a vela sobre a mesa de madeira quis ser a lâmpada lá do alto do mezanino. Já não queria mais estar presa à superfície plana: almejava, enfim, contato com a eletricidade que parecia tão surreal e mais que tudo, queria se ver livre da sensação de ser a última escapatória: nas noites chuvosas, quando acaba a luz da cidade, então as pessoas recorrem a acendê-la, brincam de adivinhar sombras nas paredes e passado algum tempo, ainda reclamam da pouca luz que ofusca. Pois era só a luz voltar para que a deixassem no seu posto de destino irrevogável: prisão à superfície. Estava decidida: “Quero ser lâmpada”. Desde então se tornou cera vazia, cera triste... Escorrendo tão devagar, quase falida. Eis que a lâmpada queimou e jogaram-na no lixo, despudoramente. Fado. A vela se sentiu ruborizada de tanto disparate: enquanto passou dias a fio negando sua natureza, não pôde perceber que suas marcas de cera ficariam para sempre, grudadas na madeira.  ...

sonhos lúcidos

menina marota, sonhei contigo. na fantasia eras tão jovem, como do jeito que te conheci. como do jeito que ficaste dentro de mim. estavas sentada ao canto, com o olhar longe e os cabelos simetricamente arrumados. { agora o que sei a teu respeito? nem sei mais se perdes tantas horas do dia organizando as mechas morenas } me pego pensando se ainda conservas contigo tuas convicções tão viscerais. se ainda tens aquela mania de fazer piadas infames e virar de costas, fugindo de mim. se tuas mãos continuam as mais macias do Universo ou se já se tornaram ásperas como um rosto que desacredita na vida. mas principalmente: se continuas a confiar na tua escrita e, se ainda possuis um certo caderno de poesias. { espero que sim, pois me deste de herança em tempos remotos } tua imagem é tão viva em mim. lembro dos trejeitos, do perfume, da juventude ardente, das roupas pretas, da tua voz cantando pra mim e ao telefone na madrugada, do violão doce, da lua, da calçada da minha rua e você...

passagem das minhas horas

Quanto sentido vivido intensamente, bem além da palavra... Gratidão, gratidão... pelas grandes dores e pelos infinitos prazeres do viver. Passagem das horas - Álvaro de Campos  "Não sei sentir, não sei ser humano, não sei conviver de dentro da alma triste, com os homens, meus irmãos na terra. Não sei ser útil, mesmo sentindo ser prático, cotidiano, nítido. Eu vi todas as coisas e maravilhei-me de tudo. Mas tudo sobrou ou foi pouco, não sei qual, e eu sofri. Eu vivi todas as emoções, todos os pensamentos, todos os gestos. E fiquei tão triste como se tivesse querido vivê-los e não conseguisse. Amei e odiei como toda a gente. Mas para toda gente isso foi normal e instintivo. Para mim sempre foi a exceção, o choque, a válvula, o espasmo. Eu não sei se a vida é pouco ou demais para mim. Eu não sei se sinto demais ou de menos. Seja como for a vida, de tão interessante que é a todos os momentos, a vida chega a doer, a...

PARA MUITOS DE MIM

Memórias fragmentadas, já gastas pelo passar dos dias efêmeros, trechos de vida que ficam líquidos diante da história da minha origem. Lembro do cheiro do café invadindo a sala pequena e do gosto doce das laranjas depois de serem descascadas pelas suas mãos calejadas de trabalho. Parecia que o mundo era tão bonito quando as tardes passavam regadas à cana minuciosamente dividida entre todos os primos, que ali, naquele quintal eram todos "fios" e "fias"... E o bolo de chocolate macio, sempre dando boas-vindas à casa que já foi extensão de mim? Era sempre infinito, porque continha o amor da acolhida e a simplicidade do cuidado. Quantas vezes corri pelos corredores para que você não pegasse meu amarrador de cabelo (o que era totalmente em vão devido a minha pequenez)? Como eu gostava desse jeito sutil e espontâneo de ser amada. Você sorria e me devolvia, já indicando que a corrida ia recomeçar em breve, neste rito de cumplicidade único e singular. (Não sei ...

gratidão e kairós...

Ao som de:  Lis olhou por cima do viaduto e fingiu ser a única pessoa viva no mundo. Fechou os olhos e seguiu o rumo do vento, deixando os cabelos dançarem... Sentiu foi é gratidão. Lembrou de uma música triste e de como já chorou pela estranheza do mundo... Vai ver a gratidão é mesmo um acalanto choroso, de cheiro doce, melodia tranquila e de lembranças ácidas. Lis teve seu momento de epifania ali, no meio da multidão sem rosto, com os pés cansados de subirem e descerem para lugar nenhum. Sorriu espantada por ter o coração sereno no meio da orquestra do caos. A vida nem sempre foi carinhosa. Todo pranto calado e todo grito estancado foram caminhos necessários para fortalecer o espírito e perceber que a felicidade enfim, não é um estado que oscila de acordo com a gentileza do mundo. Lis viu que há algo dentro dela que está sempre lá, a felicidade pura e lapidada, que construiu ao longo dos tempos com carinho, açúcar e muita vontade.  É esse sent...

meu sangue latino.

"nem sonhos perigosos, nem promessas traídas, nem esperanças estilhaçadas [...] onde estão? estão esperando por nós?" |tocante, inspirador, sensível, mexeu com sensações muito primitivas, com origem, com afeto, com minha própria lucidez | / e de um jeito... "Rompi tratados Traí os ritos Quebrei a lança   Lancei no espaço   Um grito, um desabafo. E o que me importa É não estar vencido Minha vida, meus mortos Meus caminhos tortos Meu Sangue Latino Minh'alma cativa..." Ney M. / "... ser capaz de olhar o que não se olha, mas que merece ser olhado, as pequenas, as minúsculas coisas da gente anônima (da gente que os intelectuais costumam desprezar). Esse micro-mundo onde eu acredito que se alimenta de verdade a grandeza do Universo..." Galeano.

SEM VOLTA

Dentre todas as consequências que "olhar para dentro" pode imprimir em uma vida acredito que a mais impactante é o fato de ser um caminho sem volta. É difícil de encarar que quando você conhece algo seu e se apropria daquilo a ponto de dizer: "isto faz parte de mim" , não dá mais para esquecer, ignorar, jogar fora ou deixar no banco de algum trem sem rumo... Você é convocado a  lidar com esta coisa nova, surpreendente, assustadora e linda da tua vida.  O princípio do recuperável é válido: há muitas palavras tortas perdoáveis, há muitas situações desagradáveis reversíveis sim. Afinal, a vida seria tragicamente entediante se todas as coisas fossem imutáveis e causais... Mas uma coisa eu digo: depois que você começa a se conhecer, gostando ou não daquilo que você encontra, não dá mais para voltar ao marco zero, ao estado inicial, ao desconhecimento total e livre de si. As vezes até dá vontade. A gente pode até pensar secretamente: "Ah, se eu não soubes...

DI-DIÁLOGO

Viveu dias em que todas as realidades foram aumentadas, em que cada olhar pareceu um abraço, em que algumas vozes gritantes estavam mudas [e mereciam estar]. Viveu dias em que agradeceu por estar confusa, sem saber o que seria dela se tivesse uma única história para viver. [o perigo de possuir apenas uma história as vezes vem à tona como uma verdade difícil de digerir]. Viveu dias em que se surpreendeu com a falta de noção das pessoas ao seu redor e, viveu outros em que se surpreendeu por estar surpresa. [a falta de noção é corriqueira] - Deveria se surpreender na verdade, é com a coerência humana. [se é que há]. Viveu dias intensos [e exclamou sozinha: ainda bem!] Viveu conversas sobre laços... Sobre vínculos... Sobre afetos. Ao adormecer, percebeu que viveu "bons encontros". [e esta expressão a acompanhou por semanas] Viveu dias ácidos, em que as pessoas desconhecidas lhe pareciam mais amigas que as de longa data. [identificação inesquecível, efêmera e intensa] ...

samba da madrugada

Vou fazer um samba pra contar, a dor da madrugada que sem fim, entra adentro do meu peito e faz chorar as histórias repartidas sobre mim. É a dona madrugada, que traz fome de viver, traz jeitos de entender, traz tudo o que organiza e, o que atrapalha pra valer. (!) Ai, madrugada... Ai, madrugada... Leva longe essa saudade, dos encontros puros de paixão... Dessas almas grandiosas, de vida e de doação . Pra que bagunçar um coração? Pra dar mais emoção? Pra pulsar na multidão? Pra sambar sem restrição? ... Ou só pra sonhar um sonho bom? Madrugada é flor de lis. Suas cenas, inquietações, vontades, birutices e chateações... ... Só me trazem, na verdade: - é cheiro de vontade de ser feliz. ~~~~~~~ "Flor de lis, não vai dizer..."

FRESCOR

Ai, a vida me chamou... Pediu licença pra tantos mais. Mais pitangas, mais mar. Mais eu, mais aqueles que são de mim. Mais poiesis , mais cheiros. Menos tudo que não me faz mais eco. Ecoou, ecoou... Virou lembrar. A vida me deu fome. A vida me deu vontade. A vida me chamou. Quem sou eu pra não seguir...

surpresa de Lily

"H., Eu não sou um exemplo de destreza, mas para isso há que se ter coragem: não evitar, nem ter medo, das fortes emoções e, você há de concordar: desse mal não padeço. O sentimento de continuidade, que para a maior parte das pessoas se dá na mais serena das possibilidades, para mim acontece na mais inquieta das surpresas: as emoções puras, como vêem ao mundo, cruas e nuas. [...] Continuar para mim não corresponde a dizer: "hoje está como ontem", mas digo: "Hoje há outra chance de me surpreender..." Senão a continuidade não vem. Tudo é macro, tudo é vida, seja a mais exuberante alegria ou, a mais desoladora tristeza. Mas você me disse naquela quinta e de tão forte, eu decorei: "Ah, menina das intensidades... A vida não é só explosão. Há que se aquietar um dia... Porque te digo: o sorriso vai embora, a lágrima também, mas você fica. E você se faz companhia para todo sempre... O que há em você que te suporta? O que há em você que te basta?". Ai, s...

fragmentos de uma única pergunta

O que eu me pergunto sabe, é se ele tem ideia de que tem pra si, a pessoa mais doce e colorida do mundo, se sabe valorizar suas inquietações e reconhecer sua alma, o mais profundo dela. E no entanto... Eu também me pergunto se ele tem a menina que eu tive. Eu me pergunto por um momento, se a moça por quem eu me apaixonei (no sentido factível da coisa), existe pra ele como existiu para mim. Se a hoje mulher se tornou mais rígida, ou se a menina se tornou ainda mais suave do que no auge de sua meninice. Se o cheiro continua adorável e floral, ou se ele deu lugar a um perfume chamativo... E se os olhos continuam brilhando, ou se tornaram-se ofuscados por uma maquilagem qualquer. Me pergunto: será que tem nas palavras a mesma paixão liberta, inspirada por sua vida emocional aflorada ou, se na liberdade infinita das palavras escreve sobre paixões ilusórias, aprisionada por uma realidade estreita... Eu me pergunto tanta coisa, imaginando se sei quem ela é ai...

INSIGHT

O Operário Em Construção - Vinicius de Moraes Era ele que erguia casas Onde antes só havia chão. Como um pássaro sem asas Ele subia com as casas Que lhe brotavam da mão. Mas tudo desconhecia De sua grande missão: Não sabia, por exemplo Que a casa de um homem é um templo Um templo sem religião Como tampouco sabia Que a casa que ele fazia Sendo a sua liberdade Era a sua escravidão. De fato, como podia Um operário em construção Compreender por que um tijolo Valia mais do que um pão? Tijolos ele empilhava Com pá, cimento e esquadria Quanto ao pão, ele o comia... Mas fosse comer tijolo! E assim o operário ia Com suor e com cimento Erguendo uma casa aqui Adiante um apartamento Além uma igreja, à frente Um quartel e uma prisão: Prisão de que sofreria Não fosse, eventualmente Um operário em construção. Mas ele desconhecia Esse fato extraordinário: Que o operário faz a coisa E a coisa faz o operário. De forma que, certo dia À mesa, ao cortar o pão O oper...

FOI ENTÃO QUE ENTENDEU

Foi então que entendeu: Ver suas covas e arrancar-lhe um sorriso, daqueles sinceros e difíceis de conseguir, era uma meta. Como era importante aquele sorriso, céus! Não que fosse um esforço colher os sorrisos dela, mas fazê-la sorrir era mais especial do que quando qualquer outra pessoa sorria. Era diferente, parece que as coisas com ela aconteciam em outros tempos, que não os da realidade, sabe? Os trejeitos dela percorriam o dia todo sua memória, repetindo as cenas, mais uma vez e, outra e outra. E cada vez a memória vinha viva, quente, como se tivesse acabado de acontecer. Quando é bom é assim: a gente lembra pro sentimento retornar E Ele Retorna . Foi então que entendeu: A coisa era forte. E recíproca. Os dias passaram a ser mais cheios de cor. Eram tão diferentes e em suas disparidades completavam-se. Eram a doçura e a segurança em uníssono. Tudo parecia acontecer para servir de cenário para seus momentos: se chovia, era para que pudessem dançar na rua, se fazia s...

CENAS COTIDIANAS

De um lado da rua, um rapaz respira profundamente com os lábios encostados nos ombros de sua namorada, fecha os olhos por alguns instantes e continua a caminhar; ela o olha como se fosse a primeira vez e pisca longamente consentindo o gesto de carinho: eles se sabiam amores mútuos. Ao lado deles passa uma moça sozinha, de óculos escuros, sorrindo sutilmente e andando com passos leves, porém rápidos, quase flutuantes: por certo, havia acabado de sair de um abraço bom... A moça, em sua total distração, esbarra num casal que fala alto, com expressões raivosas: ela olhando para frente, ele olhando para ela. Ela tentando manter as aparências, ele tentando se manter calmo. Ela sonhando com outro alguém. Ele também... Eles estavam muito próximos, porém muito mais distantes do que se é capaz de supor... Do outro lado da rua, um senhor carrega flores, lindas gérberas! Avançando o olhar na direção em que ele caminha, se vê uma senhorinha simpática, aguardando a surpresa... Talvez, não tão surp...